Pela Madrugada

Foto: Ediney Santana
Adoro ler biografias, não só para saber como alguma pessoa viveu, quem foram os melhores amigos ou piores conhecidos, suas paixões ou amores, quais as ilusões que a vida toda tentou viver, adoro, sobretudo porque trazem o conforto do tempo, saber que se o tempo bom vai passar o ruim também, gosto das fotografias que eternizam sorrisos que não sabemos sinceros ou não.
Daqui da biblioteca ouço o trem passar, é tarde da noite, o barulho do trem me leva longe, traz certo conforto por me levar ha um tempo e espaço nos quais não sou uma biografia de páginas amareladas e alegram por saber que em breve não haverá mais a dor real desses dias crus e sem afeição.
Cada tocar do vento na pele parece pequenas agulhas de vidro, releituras quase exatas das pequenas paixões caídas pelos caminhos e dos segredos que corações não trazem a prova.
Pensar no conformismo também é nega-lo, negar esse céu sem nuvem que cresce dentro da gente e   traz gelo nos olhos nossos é preciso, nunca se sabe quando o amor vai bater a porta... Sou a imagem do gelo ao sol do Recôncavo. Alguém assobia ao longe, cai tão bem em mim esse assobiar pela madrugada, são os cansaços que trazem nossos fantasmas para frente do espelho.
Não há estrelas, a madrugada velha abre suas portas para mim, é um convite tentador, seres da madrugada, gatos perdidos, bêbados tristes e mulheres sem amor vivem cada um ao seu modo seus crepúsculos.

 



Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys