Esperança sempre

Neste nosso país gestos de bondade ou honestidade dão sempre notícia na TV. Se todos filantrópicos dos Estados Unidos fossem elevados à categoria de santos seria o país com mais santos no mundo, no Brasil pessoas boas e filantrópicas são logo chamadas de santas, e se católicas podem um dia ser canonizadas pelo papa. Nos Estados Unidos é comum milionários e pessoas ricas doarem dinheiro para artes ou pesquisas médicas, aqui é normal fraudar o fisco e depois discursar contra corrupção. 
Um professor humano e dedicado é chamado pelos alunos de: otário, incapaz de reprovar, idiota, molenga. Para muitos alunos professores bons são os que são como eles: estúpidos ou tiranos e aceitam a mediocridade como respostas ao aprendizado. Mediocridade e ignorância é o cardápio principal no manjar de um povo de amor próprio cambaleante e ética de papel.
Não é raro uma pessoa desejosa de uma cidade melhor, país melhor ser chamada de romântico, idealista, D. Quixote. Usam essas palavras maravilhosas para depreciar alguém que enxerga a necessidade de reformas sociais. Os depreciadores são justamente os que ganham com o crime ou com suas migalhas, manter esse lixo de sociedade como está faz a fortuna de muitas pessoas e assegura migalhas sociais há tantas outras letárgicas e incapazes de vencer por conta própria.
Já vi muitas vezes pessoas se aproveitarem de outras pessoas por estas terem um bom coração, pedem dinheiro emprestado e não pagam,usam como fiador e dão o calote, usam e abusam do bom coração que elas têm e os põe na conta de imbecis, lerdos, idiotas.
Fazer o bem a gente miserável resulta nisso: ser chamado de idiota. Isso acontece porque um bom coração entende que até gente miserável merece respeito. Não meu ver gente miserável deve ser mantido na distância da segurança necessária, gente miserável só podem trazer misérias para nossas vidas.
Gente que para tudo chama o nome de Jesus depois trama contra a vida, natureza, forja as mais cruéis intrigas para terminar casamentos, amizades ou emprego. Jesus talvez seja o nome mais usado pelas bocas mais imundas incapazes de gestos de real bondade, beleza ou solidariedade.
A base de parte considerável da sociedade brasileira é a promiscuidade nas relações, se diz não quando quer dizer sim e sim quando se quer diz não, aqui dinheiro é dinheiro não importa de onde venha, se o bandido for batedor de carteira está fadado a ser fuzilado no meio da rua, mas se cometer crimes em escala industrial vai ser chamado de doutor pelo povo e ganhar da união passaporte diplomático.
No entanto a grande obra do mal é nos fazer perder a esperança na vida, acentuarmos as descrenças no próximo e naufragarmos no mar do ceticismo, ser bom para si e ter aquela sempre terna esperança que “uma mais um é sempre mais que dois” como cantou Beto Guedes.
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