Dizer adeus para dizer sim

Ediney Santana: Foto Dinho do Sebo
Uma amiga me perguntou no Bistrô quando vou sair de mim, da minha introspecção aqui no blog e que nunca mais, por isso, falei de política e das coisas fodidas da vida. Olhei de soslaio e bebi minha cerveja. Introspecção?  Coisas fodidas da vida? Meu deus santinho da última esperança dai-me paciência santa e esperança longa vida.
Estou terminando meu pequenino romance cheio dessas “coisas fodidas da vida” e de política, gosto de escrever às vezes imitando Lya Luft, por que não posso ler Lya Luft? Só para manter a pose cult Clarice Lispector? Estou cansado e escrevo para descansar o espírito, meu espírito precisa de palavras para se acalmar.
Desacelerar o coração, voltar para Caverna do Dragão e ser amigo do Mestre dos Magos talvez seja melhor que ir além do arco-íris em busca da fadinha encantada.
Às vezes dizer adeus é uma prova de amor, porque sentir todo amor do mundo não faz sentido algum se você é pedra no caminho de alguém e não uma mão que esse alguém queira segurar.
Ontem uma Testemunha de Jeová linda me deu um panfleto: “Jesus te ama e eu também”. Quase a convido para cansar comigo e viver a alegria de dois mundos se encontrando, o meu tosco e comum e o dela luz e Jeová, mas ela tinha aliança no dedo: não se atrapalha felicidade de ninguém.
Não ha mentira, a não ser que a Coca-Cola é um bom refrigerante e que no fim Deus vai perdoar a todos. Acreditamos nas “verdades” que achamos convenientes, ninguém tem culpa pelos nossos fracassos sejam sentimentais ou materiais, mas se tiver de fracassar que seja materialmente, porque não se junta cacos do espírito.
O que somos tem muito haver com as ideias do que pensamos sobre nossas mais secretas emoções. O nordeste é tão lindo, estou ouvindo Luiz Gonzaga, estou tão triste e tão feliz quanto o Chopin de ontem à noite.
Sou da guerra, espada aço, minha pele é armadura medieval e beijo a princesa pálida da capa da revista. Ai, ai ,ai...Santa falta de diálogo comigo mesmo.
Coração não enferruja não, não me leva essa alegria que só tenho quando você pula igual à criança sem medo quando o pai joga para cima e acolhe nos braços.
A menina mais bonita é também a quem não se encanta com meu perfume feira-livre, cheiro da rua, poeira de estrelas.
Não sou triste, ora meu, sou peixe que da água doce, às vezes se perdem em mares sal feito lágrimas da noite, mas sempre volto para casa.
Vem meu coração, não enferruja não, vamos para casa que já tarde e chove frio aqui dentro, quero contigo momentos de paz no silêncio dos nossos dias.




Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys