Poesia concreta

Toma-me nos vossos seios e suga-me para teu ventre calor e fúria. Faz dos teus dedos brasa a marcar minha pele. Tua língua é meu verbo profano a me devorar coração e alma, minha alma é tua cama para do teu corpo devorar o meu, me come com tua fome de fêmea.
Quem come é o corpo fêmea, o meu macho apenas te serve o sabor entre tua saliva quente e teus dentes carnívoros.
Meu café da manhã é servido entre tuas coxas claras como os dias a nos abraçar, meu pão é o deleite da minha língua nos teus seios amoras e algodão doce.
Segue as mãos por baixo da tua saia, encostada na parede você ri dos meus dedos perdidos na umidade quente do teu corpo, beijo-te, leva para o teu dia minha energia que faz brilhar teus olhos amêndoas.
Eu ando sumido, meus amigos perguntam por onde ando, ando contigo, dentro do teu corpo, na paz de sentir no teu ninho meus dias ser exatos de amor e alegria.
Chega perto, tira a roupa e aquece meu coração ao abrigo dos teus seios fartos, alegres como pardais brincando ao meu templo casa que são teus seios.
Moça simétrica como a cidade em concreto e poesia, como uma poesia de Augusto de Campos, como um poeta na rede quente do amor esquecido das horas e tempo inimigo da paixão que não quer se perder pelos dias da saudade.
Eu ando sumido dos dias, porque meus dias é teu olhar guia para despertar em mim serenidade há muito esquecida. É noite e como na poesia de Camões, “todos dormem” e é “solitário andar por entre a gente”, mas nunca é solitário trazer você para além do meu corpo, para a emoção de sentir sua presença.
Toma-me na vossa vida e te ofereço a alegria simples de viver, amar e se sentir profundamente amada como ervas dos campos, pássaros dos céus, estrelas e noites, vagalumes e borboletas nunca por Deus esquecidas.

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