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Quero ser...*

Ediney Santana: foto Dinho do Sebo
Na hora da dor que a vida seja breve como nuvem de verão, se o amor for breve como o vento que passa que seja breve todas outras ilusões não evitáveis do caminho, se a vida não for longa seja ao menos longa a felicidade pelo tempo que for. Às vezes só sabemos da alegria do mel quando nos afogamos no fel que nos parecia um coração o qual tivemos o desejo da parceria e era tão somente uma coroa de espinhos.
Sei da grande possibilidade de terminar a vida sozinho, amanhecer entre nuvens no silêncio dessa existência que se não foi má também não foi festa de primavera, mas há a palavra e ela vai comigo até o fim, porque é com a palavra que deixo para minha filha meu maior tesouro: a lembrança de um pai bom.
Não desistir nunca, mesmo quando tudo sempre nos agarrar no chão, se tiver de cair que caia enfrentando exércitos, a vida que se tem é a que se vive, a que se quer se conquista na luta cotidiana.
Não me importa a soma das derrotas, mas a certeza que tentei , tive algumas vitórias e todas foram sublimes porque foram conquistadas na dignidade do suor de quem não teme a luta pela vida e nem ao trabalho.
Estou ouvindo Mission to carry com Terry Winter, essa música me faz bem. O dia amanhece enquanto escrevo, como desejo também amanhecer nos braços de quem amo, o problema não é amarmos, a grande questão é sermos amados, quem intensamente ama correr o risco de amar por dois, mas é melhor levar uma porta na cara amando do que se afundar  na solidão de viver de si para si.

A morte não ceifa só a vida, ela faz pior, ceifa sonhos de quem fica na saudade de quem se foi. No entanto não se morrer apenas fisicamente, se morre também emocionalmente, quando essa morte emocional acontece nos tornamos secos e sem perspectiva para nós e para quem deveríamos ter sempre a paz do amor, mas não se iluda, o mundo tá pouco ligando para suas dores, o mundo segue em frente e você morre também para ele.

Infelizmente só o humano não basta, nossa alegria deveria ser o resumo de tão somente sermos humanos, pessoas, mas infelizmente só seu bom coração não basta. Somos o que comemos, o dentista que frequentamos, somos nossos amigos e o que eles têm, somos nossos carros, cartão de crédito, somos a importância das coisas que temos e não tão somente nossas virtudes.

Se você encontrar alguém que realmente olha no teu coração segure forte na mão dessa pessoa, abrace com carinho e se tiver de dizer adeus diga com o mesmo carinho que a abraçou, se ela se tornar sua companheira cante hinos ao bem, a alegria desse encontro e vá ser feliz, o que de fato você já é desde o momento que a encontrou.

“Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou”

Os versos desta canção de Caetano Veloso me consolam também, ele que saiu de Santo Amaro sem lenço e sem documento e se tornou um dos grandes da música desse planeta estranho que é mais fácil uma lagarta feinha se transformar em uma borboleta linda do que encontrarmos a felicidade, mas ir sempre em frente ter a certeza de que a vida é o que fazemos de nós... Se não amor, ao menos paz de espírito, eu vou por que não?
* Na foto estou na cachoeira da Vitória, um bom lugar para ouvir o próprio coração.


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