Pular para o conteúdo principal

Coração bom

Não se maltrata quem amamos ou quem mesmo odiamos. O ódio não nunca foi um bom conselheiro, o mundo já nos traz gasturas em larga escala para festejarmos em doses homéricas a crucificação de alguém. Para pessoas ruins a justiça e não o ódio, para quem amamos e deixou de nos amar o caminho se abre quando alguém vazio surge, não preencher esses vazio com mágoas ou ódio é o único sentido que podemos oferecer como compaixão a nossas dores.
Nada que rima como dor pode ser amor, mas tudo que rima com ódio pode indicar o fim de nós mesmos, seja de maneira espiritual quando não nos reconhecemos mais como pessoas em condições emocionais de amar ou de maneira física, ceifados pela violência que nos impomos na cegueira de exercer sobre o outro o comando radical de sua vida.
Conflitos são da natureza humana, não vivemos sem eles, mas fazer de conflitos carta de ação para infernizar outras pessoas é sempre uma triste negação de nós mesmo como pessoas e a transformação lenta das nossas emoções e vidas em coisas, é nos transformamos em coisas como um sofá ou cadeia, uma faca ou um revolver.
Ninguém, nem nossos amigos, namorados, namoradas, esposas, esposos, filhos e filhas, amantes, colegas de trabalho, ninguém pode ser refém na nossa vontade, ninguém deve ser crucificado para nos salvar de quem somos ou do que queremos ser, a vontade máxima é a vontade do respeito, parceria voluntária e não subjugação emocional.
Todos nós desejamos abrir a porta de casa e encontrar flores pelo caminho, mas o mundo concreto é bem diferente, nossa razão é desafiada a todo instante e não raro as emoções ditam o caminho, mas emoções podem nos controlar e nos levar por caminhos de dor, o ódio é uma das emoções perigosas porque sua satisfação se concretiza no mal, como se assim que fazemos uma coisa ruim sentíssemos um alivio das tensões, e por isso que muitas vezes machucamos ou ferimos sem nem notarmos outras pessoas.
A concretização do ódio em algo ruim ocorre às vezes a revelia da nossa razão, mas às é premeditado, não por acaso o direito fala em “crime premeditado”, quando isso acontece penso que seja o resultado de rancores, ambição doente ou mágoas que vão se acumulando até explodirem em alguma tragédia.
Infelizmente o outro se tornou nosso medo, nosso pavor, apertar a mão de alguém (gesto cortês e nobre) agora é cercado de desconfiança, o outro poderia ser nosso amor e temos medo que seja nosso caos, nossa desordem, nosso conquistar de emoções, cadafalso de esperança, terra sem sementes a nascerem.
Sempre dizem que sou romântico, de tanto falarem estou quase acreditando. Se ser romântico for guardar aquela velha esperança boa de que ainda temos salvação, que mais que o pavor do outro podemos de amor e bom amor, sou romântico.
Recebo poucas visitas em casa, em minha cama poucas pessoas deitaram, não sou de futilidades carnais, sou seletivo nas minhas relações pessoais, gosto de viver coisas intensas com pessoas intensas, mas, contudo seja lá com quem for busco sempre ter relações respeitosas, sou bom em esquecer ódio ou mágoas, mas sou melhor em fechar a porta para quem de alguém maneira não vibra na mesma sintonia que eu ou como canta Edith Piaf em Non, Je Ne Regrette Rien:

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo tanto faz!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado!

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus temores
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo tanto faz!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!”
De: Letra de Michel Vaucaire, e melodia de Charles Dumont






Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…