Todas as cores de Larin

“Larin, Linda com toda cor” é um livro para crianças, mas como escreveu Antoine de Saint-Exupéry  em seu “Pequeno Príncipe” pode ser um livro para adultos e se não puder seja então dedicado à criança que todo adulto já foi um dia. Quando fui criança tive meus momentos Larin, em adulto também, a sina Larin parece me perseguir, por isso o livro da escritora Maria Luiza Gomes me tocou tanto.
“Larin, Linda com toda cor” foi editado este ano pela Editora paulistana Gregory, nos apresenta não só as aventuras de uma criança que queria apenas estudar e fazer amigos como também toda sensibilidade de sua autora, Maria Luiza Gomes, que além de escritora é psicopedagoga, acostumada aos conflitos que fazem da escola não só um lugar de aprendizagem, mas de disputa de poder e afirmação pessoal nem sempre delicada como bem escreveu Maria Luiza em seu livro.
Larin era uma criança como todas as outras, mas aos olhos dos seus coleguinhas era feia e sem graça, seu penteado causava risos e deboches, os coleguinhas não queriam sua amizade. Larin entendia que a escola era lugar não só para estudar, era também lugar em que ter amizades era possível.
A indiferença com que era tratada pelos colegas machucava a doce Larin, mas ela não queria ser diferente para ser aceita:
“Meu cabelo, minha cor, fazem parte de mim. Pareço-me com meus pais. Para que mudar meu penteado ou cabelo? Só para agradar vocês?” Diz Larin em resposta às provocações das colegas, diz isso porque mesmo na terna infância já tem em si traços conscientes de quem é e da sua própria história de vida, se afirma como pessoa sem negar o que cada um é, faze isso por amar pessoas não “as coisas” que infelizmente determinam o papel e importância social de cada um.
“Chegando em casa foi para o quarto e chorou baixinho”. Larin tinha angústias e sofria, imaginava a escola como um lugar de todas as cores e não como um lugar triste em que ter a cor da pele negra ou o cabelo crespo seria motivo de piada, ódio e indiferença. A escola apresentada sobre a ótica impiedosa no qual os preconceitos parecem ser também parte da pedagogia triste que vivenciamos todos os dias é com certeza a maior reflexão que a autora nos apresenta neste livro.
“Larin, Linda com toda cor” nos alegra pela força de espírito da personagem central: “O mundo é colorido pelas cores das pessoas, pelos sorrisos, pelas plantas, pelas ruas... Vocês só reparam no meu cabelo, na minha roupa... Não procuram meu conhecer primeiro. Minha cor, meu cabelo, meu jeito de andar e falar fazem parte de mim... Vocês também são lindos, mas precisam parar com isso”, reflete e aconselha Larin.
Todos devem parar com isso, devem refletir se é sensato julgar alguém por uma foto, um penteado, todos devem em algum momento refletir sobre que mundo desejamos, se desejamos o mundo de Larin que se entende como pessoa e parte de todo contexto social ou dos seus colegas preconceituosos que entende o mundo como exclusivo do que eles acreditam ser o belo.
Maria Luiza Gomes termia seu livro nos apontando caminhos, festejando a vitória da vida sobre os preconceitos: “Quanto tempo perdemos, quantas amizades deixamos de fazer. Obrigado Larin, você nos fez despertar, voltar atrás, rever nossas atitudes. Vamos caminhar para frente com esse olhar. Nós somos lindos! Fazemos parte de um mundo que não pode ser separado pela cor da pele, por beleza, mas unidos pelo amor.
Saiba Larin, você é linda, com toda cor!”
Que essa reflexão final de Larin nos seja guia para o mundo que desejamos, o mundo sem a opressão dos preconceitos, das classes sociais, o mundo que amar seja tão simplesmente quer bem ao outro e não sofrer por amar a quem nos olha com preconceito e negação.
Saiba mais sobre “Larin, Linda com toda cor” pelo site da editora: www.editoragregory.com.br
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