Cafonas e outras coisas delicadas

A foto ao lado foi tirada quando éramos do Grêmio Estudantil João Dórea Gomes, em algum dia dos anos de 1994, estudávamos do Centro Educacional Teodoro Sampaio, a passeata aconteceu porque estávamos putos da vida pela falta constante de professores e outras coisas como a falta de livros na biblioteca. Por causa dessa foto Amália Patrícia, uma amiga minha cantora e artista plástica, disse que eu sempre fui cafona, honestamente achei cafona usar a palavra a cafona para me chamar de, digamos, mal vestido.
Havia boas intenções no grêmio, mas como se diz: o inferno está cheio de pessoas que tem boas intenções, o paraíso não são para os mansos de alma, são para quem podem pagar o condômino dos sonhos possíveis, uma educação possível de qualidade não faz parte do nosso histórico.
Crescemos ouvindo que: nunca devemos perder a capacidade de sonhar, que se deve acreditar sempre nos seus sonhos, que nunca devemos perder o encantamento com as coisas, que somos o futuro do país. Aí você cresce e descobre: o rei sempre esteve nu e só há dois caminhos, ou fica nu junto com o rei e fazer parte do seu séquito ou ir à luta e dizer a todo mundo que o rei é um mentiroso e poder acabar como presidente da república ou aquele que sempre pode ser alguma coisa e nunca é nada.
Esses dias tive a tristeza de assisti uma aula de matemática e presenciar com profundo pesar todos os alunos não acertarem nenhuma das quatro operações, eram contas simples, fechei os olhos e lembrei dessa passeata do grêmio, de como tudo poderia ter sido diferente se ao menos a indignação dos estudantes do nosso tempo ficasse para essa geração que prefere ser amiga do rei.
Há no Brasil essa mania de ser rei ou amigo do rei, temos rei do gado, da música, do futebol, dos baixinhos, das putas, da pirataria,  rei da quentinha, da lavagem de dinheiro roubado. O Brasil sente saudade do império.
A ideia de sangue azul e casta seduz muitos brasileiros, não por acaso os economista adoram nos separar nas classes: A, B, C, D, E, eu estou segundo eles, na C e já faz tempo. Mas se há mania de reis e rainhas, há os súditos e os escravos também.
Os súditos são os que sabem que o rei é tão plebeu quanto qualquer pessoa, e que alguns desses reis são criminosos, mas súdito que é súdito prefere as migalhas do reis safado que empurrá-lo para guilhotina, não por acaso hoje todo mundo é PTista, amanhã serão os que venceram os PTista e assim por diante.
Os escravos, são um caso a parte, maioria absoluta da população, adoram chamar qualquer pessoa que ao menos aparente ser rico de “doutor”, aparentar ser rico é ser branco, ter cabelos claros, ser for engenheiro, médico ou advogado o doutorado do puxa-saquismo é garantido pelos escravos,
Somando tudo isso, continuo cafona, cafoníssimo. Ainda me dói entrar em uma sala e olhar a molecada errar quanto é 45X5... Cafona sempre, conformado nunca, o rei continua nu, mas pior mesmo é quando ele se veste de seda, fodeu, tudo fica pior e para quem é classe C, o frio é intenso porque não é só o meu são de muitos e tantos outros.




Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys