Oração do anjo nº 2

Não me deixe Deus aqui se não for para amar, se não tiver um emprego que me permita comprar fogueiras para aquece o frio, não me deixa Deus aqui se não for para fazer amigos, mesmo que sejam amiguinhos que vejo de quando em vez no Bistrô, não me deixa Deus aqui se a solidão acentuar a tristeza da minha velhice que começa a bater na porta, não me deixa aqui se a saudade for maior que a alegria de viver os dias, não me deixa aqui se não tiver uma senhorinha para brincar na cama de rei e rainha fazendo amor medieval, colher na boca da senhorinha rosas e sândalos.
Não me deixa Deus aqui se o medo me impedir de andar pelas ruas do meu país, se não for febre de amor o que fazer tremer meu coração, não me deixa Deus aqui se alegria tiver hora marcada e tudo por previsível, quando do amor for à sombra da saudade triste o cartão postal...
Não me deixa Deus aqui se a terra não for  paraíso quente de um corpo amigo, não me deixa aqui se não for para fazer o bem, se o bem não for algo que possa acalcar, não me deixa Deus aqui se não for para o amor bom e alegria do abraço.
Não me deixa aqui se não puder me encantar com as coisinhas simples da minha vidinha tão singela, não me deixa ter medo de olhar nos olhos do amor que me faz sonhar, mas não me deixar amar o que não é para ser amado.
Não me deixa aqui Deus se for eu filho ingrato, se não sentir a beleza do sol, a leveza da chuvinha caindo preguiçosa, não me deixa aqui se eu não for para o próximo o bem, mas tenha pena de mim e não me deixa sofrer, a cruz já é tão pesada de ser quem sou, do amor infinito em terra árida, de desejar o bem para quem quer meu mal.
Não me deixa aqui se meu coração vacilar com o mal, mas não me traz de volta se não for para ser quem sou, para grande dor infinito amor, não tem tristeza não, mas seja meu barro renascido menos tudo que não bom, coração para a felicidade que em par se faz sagrada...Não permita Deus que eu me vá sem ter tido na vida a alegria do simples beijo tão  poderoso quanto um trovão, mais delicado que borboletas na mão calma que me abraça, não me tira a palavra de escrever se não morro, Deus, em triste solidão.
* Texto escrito ao som e inspiração da música: “Oração do anjo” cantada por Rubi

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