Escola Dr. Desgraça

É só olhar o nome de algumas escolas e até de campus universitários para entendermos que professores e professoras são desprestigiados em muitos aspectos e não só no financeiro, em verdade o magistério como algo que ainda traz prazer aos seus profissionais é uma ficção e só enquanto ficção há algo de bom nele.
Especialização, mestrado ou doutorado são títulos acadêmicos que tem como finalidade especializar o professor (a) em determinada área, mas a sociedade e governos estão pouco se lixando se os profissionais da educação estão em permanente formação ou não, se tivessem, por exemplo, vereadores ou prefeitos não indicariam um analfabeto funcional para lecionar para nossas crianças como se este fosse professor.
Escolas são inauguradas com nomes geralmente de políticos que não teve na maioria das vezes contribuição alguma para educação ou são batizadas também com nomes de pessoas socialmente privilegiadas que também não contribuíram efetivamente em nada para a melhoria da educação.
 O nome na placa de uma escola nos diz o quanto historicamente os professores são renegados na periferia da história da educação no país, não somos mais festejados, somos agora frequentadores de delegacias de polícia na busca por proteção contra os que deveriam ter por nós respeito.
Aquela maravilhosa professora ou professor quando morrem serão lembrados apenas por alguns poucos alunos ou colegas e com tempo caem no esquecimento, infelizmente com eles também se vão muitas estratégias pedagogias originais que não foram observadas com atenção que mereciam, enquanto na fachada da escola um nome que em vida nada fez de concreto para nos garantir uma sociedade viável já nos diz o comprometimento pedagógico dos ascetas que cuidam dos rumos da nossa educação.
Há muito é palavrório pedagógico, risos cínicos e demonstrações falsas de afetos dirigidas aos professores (as), jornadas pedagógicas são transformadas em circos de auto-ajudar para especialistas venderam suas fórmulas mágicas e governos justificarem o roubo do dinheiro da educação, infelizmente muitos professores (as) sem formação intelectual confiável acabam aplaudindo de pé quem deveriam renegar.
Alguns podem dizer que o nome de uma escola é só um nome em uma placa, mas não é, o nome da escola diz sim muito sobre os processos educacionais que ela pode desenvolver, por fim, chego à conclusão de que ao batizar uma escola ou universidade com nome de pessoas sem participação alguma na causa educacional se concretiza o processo político que tem o professor (a) como um ser inferior, desqualificado e tão substituível como qualquer peça de reposição, as placas de inauguração das escolas  eternizam na maioria das vezes a imoralidade educacional desse país.
Neste nosso país bacharéis sem doutorado ou políticos quase sem instrução são chamados de doutores pelo povo e seu servilismo demente, enquanto bons professores (as) são sistematicamente humilhados e até ameaçados por alunos e pelo sistema podre de ensino. No entanto não nos enganemos, em todas profissões há honrosos profissionais e no magistério não é diferente, por isso a profissão de professor(a) é sagrada, mas nem todos profissionais da educação atuam com a dignidade que a profissão requer além de vocação sólida formação acadêmica, alguns carregam o andor da mediocridade e elege não um Paulo Freire como bússola para nortes, mas qualquer fascista que tenha mandato ou grana o suficiente para ser chamado de “doutor”, doutor do caos, do lixo e da alegria que deveria ser uma escola.






Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys