O grande baile

Há uma canção do Gilberto Gil que diz que quando andamos com fé é bom porque a fé não costuma falhar, não costuma, mas pode ser que em algum momento ela não nos ajude muito, fato é que pior que uma fé que falha e nunca termos fé em nada. Não nascemos para o cativeiro de nós mesmos, atravessar pontes é o nosso destino, o problema é que não sabemos ao certo o que vamos encontra do outro lado.
A certeza que nascemos para conjugarmos nossos conhecimentos, desejos e sensações com outras pessoas somada à dúvida se ao sermos para além de nós seremos mais felizes ou ao contrário pode potencializar ainda mais nossas fraquezas pode nos jogar ao chão sem mesmos irmos à esquina de quem somos.
Ninguém é bom sendo sozinho, ninguém é gênio antes que alguém o diga que é, quem sonha-se grande para si mesmo é um louco, mas um louco medíocre porque os grandes loucos da humanidade fizeram milhões sonharem com eles e viverem suas loucuras.
Eu escrevo, mas o que escrevo não tem sentido completo se tocar ou ser importante só para mim, o que sinto em relação ao que faço só tem sentido se causar algo em alguém, qualquer sentimento bom ou ruim, porque quando tudo que fazemos tem como finalidade nosso ego nada de produtivo fazemos, tudo que criamos deve ter aquela ideia de ponte, algo de mim que me leva até você sem a intenção de te ensinar ou convencer de nada, apenas interagir, interagindo livremente você escolhe o que vai fazer com essa interação, se acolher alguma coisa ou descartar.
Não existe decreto para cria gênios, amores, sentimentos. Somos a energia que nos move livremente por todo esse espaço, o que somos para nós não tem sentido maior se agirmos como um narciso apaixonado por si mesmo. Ama-se em liberdade, o passarinho na gaiola não canta, chora por sua liberdade, a alegria que não voluntária é ditadura do razão sobre a emoção.
Ouço agora The Planter, um grupo antigo dos Estados Unidos que esses dias tocou em Salvador, adoro as canções de amor que eles cantam, não fui ao show, falta absoluta de grana, mas não é da minha falta de grana que quero falar, quero dizer que o que me faz ouvir músicas tão antigas como a o The Planter é que eles fizeram músicas para o mundo, buscaram razão no ouvidos de todo mundo e não só nos seus, se fizessem músicas só para sim não estariam cantando em 2013, ser para além de nós pode nos trazer o mundo a nossa porta e pode nos levar ao mundo.
O grande baile é curto, nossas vidas, muito curta, por isso neste grande baile muitos vão viver sem deixar na terra nenhum traço histórico da sua passagem por aqui, a maioria absoluta é assim, será assim, somos pessoas simples, nosso alcance histórico não vai até a esquina, mas podemos fazer desse baile algo maravilhoso, podemos somar nossos esforços aos de tantas outras pessoas para fazermos da nossa passagem um grande evento se não para o mundo, para nossa casa, nossa rua, nossos amores, amigos e amigas, nossa família...


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