Outono brasileiro

Finalmente transbordou o cálix da paciência ou tolerância dos brasileiros. Pelas ruas de todo país gritos de chega! Chega de um governo que tá mais para capitão do mato que democrata, que insiste em trancar-nos nas senzalas do subemprego, da falência dos serviços públicos, da imoralidade de uma educação pública adestradora, da humilhação pela violência. Governo parasitário e delirante que não consegue dialogar com o que não for de si para si, facínora e mórbido.
Milhares de pessoas tomam as ruas do país, não há lideres, não se sente falta deles, sem partidos, um movimento que se ergue no melhor que um povo pode ter: indignação e enfretamento do poder político, sem temê-lo. O brasileiro parecia letárgico, a cidadania aqui parecia anestesiada, todos pareciam resignados com as misérias do país, até que o cálix da paciência trasbordou sobre a neurótica frase “ordem e progresso”. Neurótica porque parece ser uma eterna zombaria estampada na nossa bandeira nacional, parece que aprendemos com essa frase o prazer pelos discursos que nunca se realizam, a admirar belas frases desprovidas de verdade ou sentido.
Vozes do atraso insistem em chamar os protestos de vandalismo, vozes incapazes de interpretar o presente, por isso fazem eco em argumentos caducos, pessoas que existem e parecem ainda não nasceram, são o atraso em compasso maior de tudo que no Brasil não nos representa. Usam da violência como argumento, só através da violência se fazem presentes no mundo e são essas vozes do atraso que infestam a política do país.
O que vejo nas ruas não tem paralelo com a história deste país, nenhum movimento social, nenhum sindicato, nenhum movimento estudantil, nenhum líder. O que corre as ruas de norte a sul do país é o que chamamos povo, uma massa unitária cansada de ser povo e carente de cidadania. A ironia é que tudo isso acontece durante as Copas das Confederações, evento preparatório para Copa do Mundo, o futebol sempre usado por aqui para adocicar o eterno pão e circo do país desta vez serviu como base para a revolta, gatou-se milhões para se reformar ou construir estádios de futebol ao mesmo tempo em que se desvia outros tantos milhões que poderiam está salvando vidas nos hospitais do país.
O ano que vem na Copa do Mundo é que será a grande apoteose da cidadania deste país, não vão ser os gols de Neymar e sua trupe que vão fazer nosso povo cair na letargia novamente, nada contra quem gosta de futebol ou acha o Neymar um gênio, mas há outras copas que precisamos vencer.
Esse outono no Brasil será inesquecível, o país que despertou do “berço esplendido” e cantou em coro pelas ruas que “ um filho teu não foge a luta”, não vai fugir, não vai se deixar morrer nos braços triste de partido algum, de líder medíocre algum. É hora de cantarmos: apesar de vocês PT, PSDB, PMDB HOJE será um novo dia.
http://edineysantana.zip.net

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys