Lições de um Francisco

Papa Francisco na Juventude 
 Não sou católico, gosto do espiritismo e coisas astrais, mas não falo com mortos e nem tenho interesse nisso, tão pouco quando me for quero dar às caras por aqui novamente, para mim o que se tem de fazer da vida, façamos enquanto vivos, creio que seja cansativo ficar indo e vindo como o universo sempre expansão que vai e voltar para depois começar tudo novamente, mas essa semana durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro o Papa Francisco me surpreendeu e creio que muitas pessoas ficaram surpresas com ele, tudo isso porque não estamos acostumados com pessoas poderosas  que tenham o poder da cordialidade e humildade.
Sem entrar nos mérito se a igreja é santa ou pecadora, porque para mim isso é uma estupidez, nada que é humano é santo ou pecador, para mim tudo que é humano é falível, santidade e pecado me sugerem divindade, mas nós e nossas criações estamos longe disso e a igreja é uma instituição humana e não divina.
Deus não é a igreja, Deus é maior que qualquer religião, Deus não pode ser institucionalizado, Deus não pertence a pessoa alguma, Deus não é um dogma, Deus não se resume a um livro, Deus é o tudo, nós somos parte de Deus, e não Deus partes de nós, Deus existe e não existe, é e não é, é a noite e o dia, Deus  é a pequenina folha caindo da árvore e trovão durante a tempestade, Deus é meus olhos encantados com a chuva, Deus é a chuva, Deus é teu coração e tua morte, Deus é vida e amor.
O Papa Francisco não se mostrou santo e inatingível, se fez fiel como qualquer outro fiel, se mostrou humano e frágil quando cansado cochilou um pouco durante uma cerimônia, não se fez frio e distante como muitos poderosos da sua igreja, riu com o povo e não do povo, não demostrou vaidade, foi sempre sereno, abraçou crianças negras, brancas , ricas e pobres gesto que muitos féis da sua igreja nunca faria,  abraçou idosos e jovens, disse que os gays devem ser respeitados, defendeu o direito dos jovens de protestar contra os desmandos do país, não falou contra esquerda ou direita, falou em defesa da vida.
O Papa Francisco não prometeu curar pessoa alguma, não fez milagres, não colocou Deus refém das crenças dos fiéis, se fez peregrino como todos que estavam na Jornada, mostrou-se feliz, desceu do Papa Móvel para abraçar pessoas na rua, não se escondeu, não falou em línguas de anjos para ser amado, falou a língua do povo, quando usou sua língua materna para falar foi entendido por todo mundo.
Não é só a “elite” esse bicho sem cara ou rosto criado genericamente pela esquerda academicista que atravanca nosso caminho, os que não fazem parte desta tal "elite" também sabem fazer seus pequenos reinos de tirania, o pequeno poder é a ferrugem dolorosa nas relações sociais de quem anda pelas calçadas, sabem da perversão e como causar dor. Em matéria de promover  dor, ódio, raiva, mortes o ser humano não precisa de classe social, basta ser humano para isso.
O Papa deixa grandes lições, o momento que vivemos nos pede calma, amor em verdade, solidariedade, nos pede pessoas com capacidade afetiva de exercer o poder, nos dizer que para ter o poder é antes de tudo necessário ter ,como cantou Bob Marley , o poder de amar.
Sem o poder de amar não  há pessoa que tenha condição de nos governar, ser líder de  uma igreja, não ha pessoa em condição de ser pai ou mãe , sem o poder de amar não há namorados felizes, relacionamento algum pode acontecer sem o signo do poder de amar, sem o poder de amar somos envolto em uma penumbra cinza do medo e do despotismo emocional.
Fica do Papa Francisco grandes lições, é o momento de voltarmos para nós mesmos, buscarmos dentro de cada um o melhor que podemos ser para nós e para nossa sociedade, o Brasil agoniza nas mãos dos poderosos que não sabem amar, quem tem o poder seco, sem emoção, o poder que se resume pela vaidade de ser poderoso quando deveria ser o poder sublime de fazer o bem.
   


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