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Encontros possíveis

Barra/ Mundo Novo-Ba
No programa “Encontro com Fátima Bernardes”, o ator Francisco Cuoco ao visitar a casa em que viveu na infância disse: “Hoje estou aqui sozinho, mas muito bem acompanhado com o meu passado”. A frase do Francisco é um convite a nos revisitarmos, esse mergulho necessário em nossas raízes, o que um dia fomos e que nos ajudou a ser quem somos hoje, o passado, seja ele alegre ou triste é o nosso legado, as raízes nas quais nutrimos nossas vidas para encontrarmos tantos outros “futuros” que são também sementes para o nascimento de tantos outros “passados”.
Nem todo encontro entre o presente e passado é muito agradável, nem todos se sentirão bem acompanhados como o Francisco Cuoco, rever o passado pode ser também rever dores, trazer ao presente coisas que se pudéssemos escolher nunca teriam existido em nossas vidas, mas um passado ruim que não conseguimos conviver com ele sem que isso nos cause algum tipo de desconforto é um passado mal resolvido.
Encarar o que fomos ,seja lá o que isso nos provoque, é um desafio que deve ser aceito, não se vive com medo da própria sombra. Dos pedaços desse nosso outro que ficou no passado, fizemos conscientes ou não colagens que ajudaram na construção desses que somos agora, então é com a certeza de um presente vivo que olhamos o passado e se esse não for bom o enterramos no cemitérios das emoções.
Não ter com o presente uma relação solidária e cultivar a ideia de que o melhor de nós ficou em alguma estação no passado é uma ideia suicida, pode nos transformar em mortos vivos. O professor Mario Sergio Cortella falou em uma palestra que tinha raízes na cidade onde nasceu, Londrina no Paraná, mas não âncoras, pegando essa perspectiva, digo que todos nós temos raízes em algum lugar, seja na cidade em que nascemos ou até mesmo em algum sentimento que nos despertou para algo em nossas vidas, mas raízes não são âncoras.
Âncoras nos deixam estagnados, raízes nos nutrem, âncoras pode ser o ponto negativo que enxergamos em tudo que embora nos faça mal não conseguimos deixar longe de nós,  raízes é nossa casa, aquele lugar do aconchego, o bem de sabermos que em alguns momentos estamos sós, como o Francisco Cuoco, mas assim também como ele, em alguns momentos estamos bem acompanhados com o nosso passado cheio de boas raízes.

ediney-santana@bol.com.br

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