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Grita teu amor!!!!!!

Quando amamos, sentimos medo de coisas antes invisíveis para nós, quando amamos aquela dor na ponta do dedo direito nos aflige porque não queremos morrer logo agora que o amor finalmente aconteceu. Quando amamos e já somos quase quarentões, temos pressa para viver esse amor, quando amamos temos medo de sermos abandonados e pela primeira vez sentirmos toda verdade que tem a palavra: solidão. Quando amamos, notamos o quanto sermos tão somente quem somos não basta, queremos nos dividir para somarmos nossas vidas, quando amamos sentimos medo porque gostar é mistério, mas maior mistério que outra vida não há.
Quando amamos, os segundos que se fazem minutos têm a urgência do calor amigo que é o amor a nos convidar para o bem da vida, o bem da vida? Não é ao menos para mim nada que possa comprar com o dinheiro, nada que possa trocar, nada que tenha preço, nada que sirva de alegria supérflua aos olhos... A riqueza do amor é outra, a riqueza do amor é saber que o ser amado tem no coração: solidariedade, amizade, bondade, justiça, gratidão, cordialidade, sexo e orgasmos não egoístas... A alegria do amor é saber-se aconchegado no peito de quem amamos.
Quando amamos, sempre acreditamos ser o amor definitivo, aquele amor que não vive o tempo frio dos relógios, mas o tempo quente das emoções, quando amos, sentimos vontade de perdoar e pedir perdão, quando amamos nos é revelado tantas possibilidade de sermos para além de nós sem nos perdermos de quem somos.
Amar não é ciência, ninguém ama pessoa alguma com a mesma intensidade que é amado, amor é por excelência carente de si mesmo. Amor sem confiança é suicido, se a desconfiança ganha para afeição o amor há muito arrumou as malas e estamos nos auto-enganando, fazendo do eco sombrio do que uma dia foi amor sol de primavera.
Quando amamos, nos revelamos, o que machuca não é a palavra é o silêncio, quando amamos, apostamos no diálogo para que o amor não seja entusiasmo em fim de semana. Quando amamos, aprendemos que amar não é tão somente dias quentes de verão, temos nossos invernos, nossas quedas, fragilidades e se amamos saber reconhecer o quanto somos frágeis é carta de amor maduro, quem ama é do perdão, do pedido de desculpas, o amar saber-se forte, mas sabe-se também humano.
Quando amamos, arriscamos a perder quem amamos, por quê? Porque só há amor se também existir sinceridade e nem mesmo o amor tem lá muita paciência para verdades, por vezes prefere não enxergar o que de tão óbvio lhe parece impossível que exista de fato,mas se enxerga pode comprar um bilhete só de ida para longe de nós.
Quando amamos, só existe nós e a natureza, nós é a soma dos nossos  corações com o de quem amamos, a natureza é tudo que não for humano, o amor é egoísta não divide a pessoa amada e quem se divide não se ama tão pouco tem a capacidade de amar.
Quando amamos, gritamos para todo mundo que estamos felizes, quem não grita seu amor não o vive intensamente, o amor não cabe no peito, quem o sufoca o perde, o amor não é um clandestino em navio, quando amos, queremos dizer para todo mundo que entre milhões de pessoas uma nos tocou de verdade, quando amamos, somos o espelho desse amor, quem não se sente seguro para gritar seu amor não o ama como pensa que ama e talvez só descubra o quanto o ama justamente quando perdê-lo.
Quando amamos, estamos felizes com o amor, amor é alegria e nada que rima com dor pode ser amor, amar é se emocionar com quem amamos, é sexo bom o dia inteiro, e ri quando não achamos graça, quando amamos, nossa paz é a paz de fazer o outro feliz, nosso orgasmo é o orgasmo do outro, quando amamos somos parte e somos todos, quando amamos seguramos as barras pesadas juntos e não fugimos ao menor sinal de fuma que não seja do calor da cama em que nos canibalizamos, quando amamos, sentimos orgulho do amor pelo outro, quando amamos, esperamos do outro solidariedade,  só quem é solidário tem no coração a alegria de se permitir ser amado e amar profundamente.
http://ediney-santana.zip.net

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