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Paula e Bebeto nº 2*

Vida que alegria havia entre os dois que se foram por outros assuntos, toda maneira de se despedir é sempre um convite à dor, mas todo amor vale à pena, seja na Bahia ou Paris, tudo que se faz com alegria vale à pena, é vida que segue, qual  palavra maldita foi dita?  Qual nunca foi dita? Viva vida, viva o tempo do amor o tempo que durou é todo tempo de amor... Será? Eles estavam sempre juntos, todo amor que vale à pena, mesmo amor que se sente sozinho vale a dor da pena, na minha saudade estarão sempre juntos. Ele se perdeu na Avenida Paulista e nunca mais foi visto aqui nos olhos dela que já amaram tantos caminhos, ele tão simples que só o amor lhe valia a pena.
Que pena, o amor valia à pena de sempre estarem juntos, de qualquer maneira todo encontro também é o começo da despedida, ele é calmo, ela se perdeu e nunca mais foi vista, todos morreram a morte do silêncio, que vida linda, que vida linda do amor de estarmos sempre juntos.
Eles se amaram quase a vida inteira, toda vida inteira foi uma tarde preguiçosa, ela aprendeu a beleza da calma, ele abriu as portas da sua casa e viu o mundo, ora ora que coisa mais linda, mas qual foi a palavra maldita que feriu assim a vida amor que sempre valeu a pena?
Ele gostava de Milton Nascimento, ela nunca dizia do que gostava e se amaram assim de qualquer maneira, eram tão lindo vê-los juntos, ele era tão simples que desenhava nuvens na palma da mão dela, ela ria e dizia valer a pena amar.
Ela era delicada e trazia mistérios nos olhos, ele acreditava em espíritos e todo amor era de qualquer maneira lindo, ela falava coisas que viveu, ele pouco sabia além do seu vale, mas dizia coisas que fazia o coração bater feliz.
“Toda maneira de amor vale à pena”, “ toda maneira de amor vale à pena”. Eles riram da economia, da bolsa de valores e das cores que se acham mais cores que as outras, eles riram muito pelo caminho, por isso no meu cantar estarão sempre juntos, eles disseram que queriam se amar a vida inteira, mas veio à palavra maldita e o amor não era mais... Que pena, era tão bonito, que pena amor tão lindo amor. “Qual quer maneira de amor valerá”. Que saudade do amor desses dois, breve vida para tanta agonia, só queria amar como eles amaram antes da noite cair sobre a tarde deles.
Hoje tem Show do Caetano na Praça da Purificação queria tanto encontrar Paula e Beto, queria tanto encontrar minha Paula, porque “toda maneira de amor vale a pena”. Qual a palavra nunca dizemos e qual desfaz o coração quando só queremos amar? “Toda maneira de amor valerá”.
Ela dizia que namorava outro só de brincadeira, ele só olhava e tinha febre nos dedos, sentia seu corpo doer, nem toda maneira de amor era brincadeira, ele afogou-se ao ver seu amor que valia a pena dizer de maneira delicada: já não tenho certeza, ele a amava de qualquer maneira .
Ela não quis fotos para não lembrar do amor que valeu a pena , toda maneira de dor é estupidez, mas ele amava como se ela tivesse estado ali à vida inteira, ela era seu cigano amor, ela tem alegria nos olhos, ele amou sua alegria e ficava emocionado aqui na mesa do Bistrô ao falar dela.
Ele diz que nasceu para sempre perder até o que pensou ter e nunca teve, sua sorte incerta sempre lhe levava até ao quarto, mas nunca a sala de visitas. Que coisa linda era os dois sempre juntos, amor e amizade na alegria de estarem sempre um para o outro.
Ele escreve para não explodir, mas de toda maneira estarão sempre juntos, qualquer maneira de reencontro vale a pena, era tão lindo vê-los, pena que pena, que coisa maldita, ela era tão perfeita, tudo dói nele, escreve com febre nos dedos, febre que não é de amor, mas no meu canto estaremos sempre juntos.
* Livremente inspirado na canção Paula e Bebeto de Milton Nascimento e Caetano Veloso.

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