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“Soy un hombre sincero”

Ediney Santana: Foto- André Santos
“Yo soy yn hombre sincero/De donde crece la palma/Y antes de morir quiero/Echar mis versos del alma/Guantamera, guajira Guantanamera/Con los pobres de la tierra/Que mis versos dejar/Porque el arroyo de la sierra/Me complace mucho mas que el mar/Mi verso es de un verde claro/Y de un carmín encendido/Mi verso es un ciervo herido/Que busca en el bosque amparo/Guantamera, guajira Guantanamera”. Esses versos são do poeta cubano José Martí, versos que ficaram conhecidos na canção Guatanamera, sempre gostei deles cantados em especial na voz da Celia Cruz.
Acontece neste momento, no Brasil, um movimento no mínimo curioso, médicos e entidades médicas estão promovendo uma série de debates e protestos contra o programa “Mais médicos” do governo federal, o alvo dos protestos são os médicos cubanos, embora médicos de outros países também façam parte do programa. Confesso que é uma surpresa para mim ver médicos fazendo protestos, algo tão surrealista quanto encontrar um hospital público funcionado bem.
Cuba vive um embargo comercial há anos liderado pelos Estados Unidos, a vida por lá não deve ser muito fácil, a democracia resume-se a família Castro, Cuba sempre foi um país enigmático, Os Estados Unidos lideraram cruzadas imperialistas contra muitos países comunistas, mas em seu quintal, um pequeno país zomba dele entre as baforadas de charutos do Fidel. A questão parece simples, o ódio contra os médicos de Cuba é tão somente pelas ligações políticas e ideológicas entre o governo cubano e o brasileiro, no fundo nossas entidades médicas estão poucos ligando se esses médicos estrangeiros são bem ou mal  formados, questionar a qualificação profissional desses médicos  é tão somente o argumento para fazer o enfrentamento ideológico ao governo, se esses médicos fossem dos Estados Unidos ou Inglaterra qual seria a crítica? Antes do programa "Mais médicos", desconheço ações ou protestos de médicos contra o governo ou condições de trabalho. Na luta ideológica- financeira que envolve o programa " Mais médicos", quem vence são as empresas farmacêuticas e  fábricas de caixões que enterram as vitimas do Estado brasileiro. 
1-      O Estado brasileiro é artificialmente incompetente, gerenciado não por políticos, mas por corporações empresarias, o Estado é um cafetão da cidadania nossa.
2-      Por trás do desmonte do SUS há grandes empresas farmacêuticas financiadoras de campanhas eleitorais e a corrupção generalizadas na gestão do dinheiro público, empresas farmacêuticas não tem como foco curar pessoa alguma e sim mantê-las na dependência de remédios, a terapia não é para curar e sim prescrição de remédios.
3-        Entidades sindicais ou de classe não sentem a dor do povo que agoniza em hospitais, sevem interesses privados em não de classe.
4-      Médicos são aliciados ainda quando estudantes por laboratórios e passam a prescrever sempre o mesmo tipo de medicamentos fabricados por determinados laboratórios.
5-      O governo não incentiva os tratamentos alternativos que em muitos casos podem ser mais eficientes que o tratamento químico.
6-       Não somos mais pacientes e sim clientes, nossas misérias é a mais- valia das empresas farmacêuticas 
7-      A universidade pública, assim como o governo, aplica o darwinismo social, um país em que ter um mestrado ou doutorado ainda é privilégio nos diz o quanto estamos sucateados na nossa própria razão cidadã.
8-      Muitos médicos não querem trabalhar no interior do país, acham que cuidar dos pobres, longe dos grandes centros, ou trabalhar na periferia das grandes cidades traz desprestigio, mas o grande argumento para isso e a falta de condição para o trabalho, o governo sabe disso e mesmo tendo condições de aparelhar todos os centros médicos do país, do maior ao mais modesto não o faz, prefere fazer quebra de braços com médicos, e ambos dão as costas para o povo pobre que morrer não de doenças, mas por falta de tratamento.
9-      Planos de saúde são os mais interessados no desmoronamento do SUS, grandes negociantes das nossas misérias, câncer financeiro do sistema de saúde do país.
10-   É bom rezar, como nossas avós faziam, porque o protesto dos médicos não é por mim e nem para você, é bom rezar porque o programa “Mais médicos” não é para mim e nem para você. A saúde nossa de cada dia não é a pauta nem de quem deveria nos curar, nem de quem deveria oferecer condições para isso.
Hoje vi na TV médicos cubanos sendo hostilizados, fiquei triste, porque esses profissionais não tem nada haver  com a falta de verdade humana do governo brasileiro, fiquei triste quando vi médicos enfurecidos e com ódio no olhar, a ideia que se tem é que médicos tenham a alma leve e o coração suave como a cor dos jalecos que usam.
Voltei para casa e ouvir “Guantamera”. “Yo soy yn hombre sincero/De donde crece la palma/Y antes de morir quiero/Echar mis versos del alma/ Con los pobres de la tierra/Que mis versos dejar/Porque el arroyo de la sierra/Me complace mucho mas que el mar”. Enquanto a morte não me separar de mim eu vou sendo um homem sincero. Amor, paz e saúde em qualquer língua, em especial na língua do amor.


 
 
 

 

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