Pular para o conteúdo principal

Carta

O bom do amor é ficar com você neste dia calmo entre lençóis sem o mundo por perto. O frio desenha coisas no vidro da janela, calço suas meias de lã nestes teus pés tão delicados, quando você sorri sinto aqui a paz de toda uma vida , sempre esperei você. Nunca é noite nos nossos corações, tudo que somos é um só coração na alegria compartilhada de duas vidas.
Você é o bem desses dias, alegria plena é viver esses sonhos calmos de amor e vidas a seguirem juntas no balanço dos dias a nos fazermos felizes.
Esta carta é para você, meu bem, não esquecer de mim. Para você que de longe me olha da sua janela.  Eu tenho sonhos, eu tenho o bem de viver contigo a serenidade que vem do coração. Em minha cidade não sou feliz, mas aí você aparece o mundo fica perfeito nas suas horas exatas de amor.
Valsar meus dedos sobre teu corpo porcelana, nada é breve quando intenso. No silêncio desses nossos quartos quase posso ouvir teu coração, quase é poder quando se deseja profundamente esse bem que dos teus olhos me hipnotizam.
Sou a tua água, você a minha terra, sou o teu fogo, você meu ir para frente, sou teu abraço, você minha fome, sou o desejo do viver real, você o enigma bom, sou os olhos minguantes, você a senhora romântica desse tempo de incertezas. Você é minha paz.
Há flores na janela e do meu lado essa vidinha simples, quase tola, há os amores que são simplesmente amores e não precisam de outra magia além dessa de ser amor, alegria é amor do bem.
 Há o trabalho, a solidão interiorana, histórias vividas, a ilusão, a verdade que sufoca, a beleza que se refaz, há o medo e o pós-medo, o tempo a nos envelhecer, o medo de morrer sem provar da felicidade, a vontade se ser feliz, a coração para caminhar, incertezas e certezas, há novos caminhos e a beleza de se descobri no outro.
Estamos do lado bom, sentir o bem é nunca fazer com o mal par algum. Quero falar e sentir tua língua na minha língua barroca, sorver com alegria teu êxtase, ser o suor sobre teu corpo quente nos lençóis carne da tua cama.
Faço de nós comida para carne crua em alma quente, mar que se navega sempre em direção única, não importa o que dizem as línguas que não são as nossas. Aprendi a gostar de você e das coisas nunca prometidas, ir encontrar você para dois caminhos se fazerem únicos. Perto de mim não há tristezas, a solidão que sinto de você é solidão do bem porque sabe que pode ser completo amor.






  




Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…