A vida de dois possível de amor

Na revista Veja dessa semana há uma frase da Marina Silva: “O difícil são aqueles que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar”. Sempre encontramos por aí esses professores que ancorados na arrogância intelectual vomitam sobre nós insanidades ou culpas, não raro algumas pessoas são espojas e sentem na carne esse palavrório dos que só tem a ensinar e nada para aprender, a insanidade dos “professores” expositivos do ódio e selvageria emocional. Falar mais que Ouvir, vício verborrágico e falta de elegância no convívio entre corações possível de amor.
Possível de amor são pessoas que não se tratam como aluno e professor, mas como alunos, um aprende sempre com o outro, são os dois alunos e todos os dias há sempre um mistério a ser desvendado.
A vida de dois possível de amor que se tratam como alunos nunca se perde no tédio, não há necessidade de sempre ensinar, porque não há mestre em coisa alguma, há pessoas que se dão as mãos e atravessam com entusiasmos as fronteiras do viver a dois, da vida que se perfuma com suor do corpo, porque suor é o melhor perfume que temos, nos diz que estamos vivos e ativos.
A vida de dois possível de amor se faz na construção coletiva, na parceria que se em dor busca não a fuga, mas o caminho que anestesia o sofrimento, a vida de dois possível de amor se fortalece tanto na escuridão quanto na luz, a vida a dois possível de amor é aquela que ao desejar deseja tão somente o que nos faz bem, a vida possível de amor não tem nada a ensinar, tem a conviver, só faz sentido na convivência.
Na mesma Veja que encontrei a frase da Mariana Silva, encontrei também essa da minha querida Lya Luft: “Descobrir o que afinal se que é essencial. É raro. É possível .E quando alguém resolver não pagar mais o altíssimo tributo da acomodação, mas dar sentido à sua  vida, verá que a bruxa dos relógios não é inteiramente má. E vai entender que o tempo não só nega e rouba com uma das mão, mas, com a outra, oferece – até mesmo a possibilidade de, ao envelhecer, alargar ainda mais as varandas da alma.” Adorei isso da Lya
Não temer a passagem do tempo, capitaneado pela “Bruxa do relógio”, as horas, às vezes amargas, às vezes doce, mas sempre passando, passando. Levar sentido ao que somos, e no fim “alargar ainda mais as varandas da alma”. Quem não quer isso? Alargar as varandas da alma? Se fortalecer no passar do tempo e não envelhecer o espirito?  Tenho convicção de que as pessoas que mais sofrem com essas coisas são aquelas sensíveis, aquelas que parecem carregar o peso do mundo nas costas, aquelas que não conseguem ser indiferentes ao bem ou mal, que não querem muito para si, mas desejando o “muito” para o mundo sofrem e padecem.
Pessoas sensíveis demais não são dadas a mediocridade, ao meio termo, ou são ou não são. Por isso algumas conseguem a glória naquilo que se propõe a fazer e outras, no entanto se exilam em si mesmas. Sabe aquelas pessoas que poderia ter sido qualquer coisa e não foram nada? São essas, alimentam-se de toda beleza e lixo do mundo.
“Alargar ainda mais as varandas da alma”, não ser só professor, mais que ensinar buscar aprender, calar e ouvir, mergulhar em si sem medo, mas não morrer afogado nas próprias razões ou emoções, se fortalecer, mas não pisar em pessoa alguma para conseguir isso, não temer a passagem do tempo, saber que a vida pode ser sim maravilhosa e todos os dias como na canção de Ivan Lins, aprendermos como se goza.
Gozar com o sexo, com o riso, com a ternura de momentos únicos, gozar com a paz de sermos para além de nós sem matar afogado pessoa alguma com nossa presença, gozar sobre tudo com o espirito, porque no fim, ele que os move, nos renasce e nos faz amar, e nada pode o passar das horas diante um espirito que ama e se permite ao amor de aprender, como nos ensina Paulo Freire, em comunhão.
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