Pular para o conteúdo principal

Abraços e amo todos vocês ...

Hoje é dia de Leonard Cohen, olho sobre o muro, a rua é tão calma, todos parecem felizes, dois passarinhos brincam na grama do jardim, meu peito dói, às vezes há lágrimas nas nuvens dos olhos, mas é só olhar você sorri que tudo fica bem. Não há alegria nestas coisas frias e metálicas, tudo desejado não se pode pegar com as mãos, mas é só você sorri que o dia fica como dois passarinhos no jardim. Leonard Cohen gira gira na vitrola a mesma canção mantra me diz que ainda é cedo para ir embora, então olho tua fotografia e a noite se faz dia.
Ontem à noite estava tão escuro, faltou luz e as velas compradas no Bar do Mariano não se fizeram luz que deveriam aquecer e clarear. Alguns querem pão, outros apenas o carinho de dois passarinhos brincando no jardim. Tão triste aqui, olho algumas formiguinhas passando pelo canto da parede, parecem em paz, seguem indiferente a tristeza da noite, tão pequeninas e tão indefesas, mas parecem felizes, não sabem das palavras tristes.
Quase dia, a madrugada fria é quase manhã novamente, ouço pássaros cantando, barulho dos ônibus levando trabalhadores para o Polo Petroquímico, a vizinha se  casa hoje, cheiro de bolo e alguns risos, o trem das seis horas passa, vai para longe, talvez Minas ou Rio de Janeiro, vai tudo passando e eu vou ficando nos primeiros fios de cabelos brancos.
Cecília Meireles no canto do quarto, minhas mãos frias e o peito apertado, leio Cecília “Quando penso eu você/ fecho os olhos de saudade/ correm os meus dedos longos/ em versos triste que invento”. Lembro do meu pai que a doença doce levou aos 42 dois anos de vida quase sempre amarga, mas nas aspas feliz. Tantos já passaram e agora é tarde, o sol quente do recôncavo ri da minha solidão e não há rua que me encante. Ouve um tempo que escrevia cartas para amigos e amores em Mundo Novo, comprava os envelopes na bomboniere do seu Ageu, escrevia minhas letras mão de Capitão Gancho, no envelope sempre escrevia antes do nome da pessoa endereçada: “ Para o jovem”, coisas do interior do Brasil, nosso atraso nos atrasou também a desumanidade, somos meio tolos, românticos do atraso do Brasil.
Joan Baez. Como alguém pode nos acompanhar a vida toda só pela voz? Joan Baez é dessas pessoas que sempre estiveram aqui, às vezes coloco o vinil dela cantando Guatanamera e saiu cantando e dançando pelo quarto, la vai eu e a Joan, bêbados cantando Guatanamera, rimos muitos e nos divertimos: Yo soy un hombre sincero/ de donde crecen las palmas/Y antes de morirme quiero echar mis versos de alma”. Adoro esses versos de José Martí e cantados pela Joan me traz alegria e vontade de viver  mundo.
Meus amigos e amigas reclamam que deixo celular desligado, amigos e amigas bons sentem saudades de mim, no ano que vem prometo deixar o celular ligado todos os dias. Adoro inverno, mas como todos sabem, vivo na Bahia, a beira mar, se pudesse ver o mar da minha casa poderia ver Salvador, então aqui o inverno é quase verão, mas mesmo assim adoro a ideia de abraçar alguém no inverno e sentir seu calor, e sonhar com ela, sentir paz da paz de outra pessoa.Porque no fim o que sempre busquei da vida foi amar e ser amado como dois passarinhos brincando felizes no jardim.
Abraços e amo todos vocês ...
http://ediney-santana.zip.net
http://edineysantana2.blogspot.com




Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…