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Não farás mal a criatura alguma

Buda trouxe o espelho que mostra para além dos olhos, faz ver o que por vezes é óbvio e por algum tolo ganho nos fazemos de cegos, Cristo trouxe a fogueira para os dias solitários e noites nas quais tudo parece dissolver sobre nossos pés. Os espiritas trouxeram a beleza da palavra que diz o que precisa ser dito ser ferir ou machucar, os orixás nos devolvem para o lugar do nosso nascimento: a natureza. Mireille Mathieu cantando “La Paloma”, repeti mil vezes, fui e voltei do trabalho com essa canção, o canto francês de Mireille conforta, tristeza que conforta, canto que liberta.
Queria um abraço de Buda, a fogueira de Cristo, águas calmas de Iemanjá e a solidariedade da voz da Mireille Mathieu. O melhor lugar do mundo é esse que nos devolve para o que somos, não adianta fugir, esse outro que somos sempre nos encontra, então o melhor é convidá-lo para um jantar, beber um vinho e ser feliz seja com os trapos de que somos, seja com a divindade que julgamos ser.
Hoje vi na TV uns garotos levando porrada da policia, motivo? Diziam lutar contra a privatização da Petrobrás. Honestamente para mim tanto faz se a Petrobrás for vendida ou não, minha vida não vai mudar em nada por isso, por mim Dilma vende até os ossos desse país, ela não pode me dar a única coisa que sempre quis: felicidade. Foda-se Dilma e quem mais com isso se preocupar, perde-se tempo com essa gente enquanto o amor arruma as malas e foge para outro país, o Brasil se tornou um país sem amor.
Cristãos dizem amar o próximo mais são indiferentes a mendigos nas calçadas ou quando prestam atenção tiram fotos para fazer propagandas das suas boas ações e esquecem o preceito bíblico de ser solidário em segredo, o amor azeda como leite aguado. Fogueira de Cristo, Cristo assassinado por ser do bem, é quase natal, quase dia de todos lembrarem pela força da propaganda que são gente.
Quem sou eu neste coração pedra do vosso sorriso... Me diz em que lugar do mundo a morte não nos iguala... Me diz quem são os donos da vida que podem vencer a morte...Amar você é se fazer silêncio quando dos seios não sai leite para o doce bem da vida.
Um dia o professor de literatura Gabriel disse que eu escrevia de maneira hermética, achei que fosse um elogio, mas logo descobri que hermeticamente eu tinha dificuldades de me comunicar pela palavra escrita, porque escrevia sempre escondendo coisas nas entrelinhas. Estamos no tempo das sopas adormecidas, não há tempo para preparar algo novo e nem longas meditações.
Buda me olha, talvez um dia me mude para dentro de um mosteiro, talvez o de São Bento, fica no centro de Salvador, sempre achei interessante aqueles homens vivendo ali dentro alheios ao tumulto das ruas, talvez termine assim meus dias, se não fazer o bem, também nunca o mal. Eu sei, tem aquela história de que quem não faz o bem permite o mal, mas, como diria Herculano Neto: “Há controvérsias”.
Olho nos olhos da querida flor, quase adormecida, ela diz que me ama, o sol nasce entre nuvens, chuva calma, há outras tantas flores pelo mundo que do céu só queriam alguns pingos de chuva fazer das suas pétalas ninho para paz de caminhar e ser feliz, você e eu podemos ser...
Roy Orbison me convida para viajar, algo entre a saudade de todos os dias e a fuga da ficção moribunda que nos faz acreditar no que só fere e machuca. Se soubesse dizer palavras bonitas faria uma oração ao Tempo e pediria para voltar atrás, nunca encontraria você e nunca te machucaria, no começo de tudo seria como pessoas que vivem na mesma rua ano após ano e nunca se falaram.
Hora de voltar para casa, casa de sempre, guardar as fotos, enrola sentimentos no tapete e colocá-los no fundo do Baú. Os olhos assustados não eram de descoberta do amor tardio, era algo entre o medo e nojo da noite que poderia invadir teu corpo... Leio  Missa do Galo de Machado de Assis e tudo pode acabar bem como uma missa que não salva, mas traz a ilusão da salvação. Roy Orbison canta “Crying”. Minhas emoções vão ao século de XVIII...Espírito velho como aquelas árvores no Araújo Pinho. Cheiro de amêndoas, como aquelas do Senador Pedro Lago que gostava se subi com os colegas no tempo da 5ª série, amêndoas inocentes...







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