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A Fotografia

Um dia estava com meu pai na pracinha 14 de junho, em Santo Amaro, estávamos perto da banca de revistas Revicoque, o tempo estava nublado, um fotógrafo de rua apareceu, meu pai me pediu para tirarmos uma foto, disse que deixasse para outro dia porque o tempo estava feio, não tiramos a foto, alguns dias depois meu pai morreu. Não tenho nenhuma foto com ele, aquela seria a única, se pudesse voltar naquela manhã o abraçaria e tiraria aquela foto, mas não posso.
Tinha uma boa e fraterna relação com meu pai, trabalhávamos juntos na Pracinha todas as manhãs e nesta mesma Pracinha 14 de junho, tirei fotos com pessoas que pouco contribuíram para minha história, só não tirei com quem vive aqui comigo, no meu sangue, nas batidas do meu coração, na maneira boba de amar e ser solidário...Com quem fez dos poucos anos que viveu um monumento de dedicação a minha mãe, eu e meus irmãos.
Passado todos esses anos, lembrando daquele dia, da vida curta do meu pai, que se foi os 41 anos de idade, era uma  manhã de 06 de dezembro de 1990 em um hospital de Salvador, ficou mais que a saudade, ficou a lição de algo já conhecido de nós, mas vale lembrar sempre : abrace, declare seu amor para quem você ama, não deixe duvidas, não deixe para amanhã, não crie estratégias para o coração, ao chegar em casa abrace seus pais, tire fotos  se ama alguém deixe claro isso, não sinta vergonha ou medo de dizer o que seu coração sente, não se importe com que vão achar do seu amor por quem te faz feliz,  acredite, diga agora, nunca deixe para amanhã , porque esse amanhã simplesmente pode não existir.

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"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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Carta para daqui a 50 anos

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