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Aulas para o nada

Cena: uma escola em Salvador, professora no quadro, lição: vogais, dígrafos, ditongo e tritongos. Tudo bem, se essas coisas estivessem sendo ensinadas nos primeiros anos de estudos e não na terceira série do segundo grau; enfim a grande reforma social da educação pública começou, ensina-se como rabo de cavalo, para baixo. Claro, a palavra “reforma” é um xingamento no país da preguiça e arrogância intelectual, que ainda se discute seriamente ideias para educação do século XVIII, enquanto a cidadania é varrida para o lixão público e parte considerável da produção de conhecimento atual é solenemente ignorada se não servir a nódoa parasitária que controla o país.
Gambiaras intelectuais desmantelam a capacidade dos nossos alunos para o lúdico, pior, acaba com a ideia de mérito, de que não precisa saber muito para ir além da condição social em que vivem, a escola perde o sentido, universidade caduca em rituais pedagógicos medievais em um mundo sem vocação para perdoar incompetência natural quanto mais artificial formada por um sistema educacional desastroso.
Nossas escolas com algumas exceções, são insossas e serviçais do imobilismo intelectual. Em 2013 comemora-se o centenário do Vinicius de Moraes, como sabemos Vinicius sempre foi um escritor, compositor celebrado e festejado, propus a muitos professores que junto ao ilustre homenageado colocassem poetas contemporâneos, dariam assim, oportunidade aos seus alunos de conheceram a literatura que acontece agora, mas minha ideia não foi aceita. É mais fácil ir à Wikipedia, copiar alguns dados sobre o Vinicius de Moraes e fingir que sua obra foi estudada, vela-se o cadáver sem saber ao certo quem foi.
Idiotas militantes são as maiores contribuições da universidade brasileira para o debate público sobre os graves problemas do país, especialistas que do auto da arrogância e prepotência ajudam a engendrar na máquina pública ideias tacanhas sobre educação, segurança e saúde. Nada além de gambiaras com mestrados e doutorados quase sempre financiados pelo dinheiro público, destilados no sumo suor de um povo idiotizado.
Cena final: trocar a questão pela pessoa, dizer não é ser, a grande ideia do Brasil ditongo, tritongo é: matar humilhar, fazer rastejar qualquer professor que não queira fazer dos seus alunos gente ditongo ou tritongo quando esses deveriam ir muito além do caminho que leva ao banco para receber o bolsa família.
Ser solidário e pensar no coletivo é bom e me agrada essa ideia, mas os processos educacionais no Brasil tentam quebrar o indivíduo, transformar o indivíduo em um só bloco hegemônico, uma massa falido sem razão de ser ou viver.
O governo tende a nos tratar como se fossemos crianças e dependêssemos dele para sermos quem somos, essa ideia fascista e paternalista é a pedagogia educacional que vigora nas nossas escolas públicas, pensadas por burocratas do MEC e servida para nossas crianças por professores desmotivados e poucos interessados em debater tais questões, professores foram transformados no maior produto do governo brasileiro para educação: fantasmas pedagógicos, vagam de sala em sala sem função objetiva e os que reagem a isso são exilados em pequenas diásporas com seus alunos e não raro perseguidos por diretores de escolas -capitães do mato.
Enfim o capitalismo e socialismo se uniram no Brasil, um mantém viva a esperança do povo que pode um dia ser materialmente feliz, o outro não deixa ninguém esquecer quem sem o Estado a “felicidade” prometida pelo capitalismo é impossível, dois pais para um povo padrasto e madrasta dos suas certezas esquizofrênicas.


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