Do puro amor

Deus não está nas estrelas ou no céu azul, Deus são estrelas e o céu azul, Deus é e não faz parte de nada, porque não se reparte, Deus é, nada existe que não seja Deus, eu e você não estamos com Deus, somos Deus, Deus não criou nada além de si mesmo, Deus é tudo que existe, e tudo é parte desse Deus que sendo tudo nada existe que não seja ele.
Diante a ideia de que é impossível deixar de ser Deus e tudo que somos já fomos antes, lembro uma frase de Espinoza: “Não ri, nem lamentar-se, nem odiar, mas compreender”. Compreender antes do ri, lamentar ou odiar. Compreender o quê? A si mesmo, sem esse buscar o porquê de sermos como somos e disso entender as paixões que nos movem pouco podemos nos colocar na vida.
A porção Deus que somos é indiferente a nossa existência ou morte tal como concebemos essa coisas, porque como sendo Deus não morremos, mas acontece que lutamos contra a ideia do divino em nós, da impotência de sermos livres e donos da razão que julgamos ser nossa bússola, neste momento tudo nos devora como um cosmo aparentemente sem razão de ser, mas que dentro dele giramos  em vida, medos, paixões, amor e morte.
Ao entender que nada somos além de Deus, mas não temos o controle desse ser Deus, podemos nos encontrar no território da angústia, por quê? Porque neste compreender Deus entendemos também que o livre arbítrio é uma ficção.
Deus cria a si mesmo infinitamente e se renova também infinitamente, como uma serpente que troca de pele, Deus renova-se matando partes de si e renascendo outras consciências, quando isso acontece encontramos a morte e entender isso, encontramos também a angústia de saber que embora parte do divino somos mortais.
A maior força do universo é o amor, não o amor interesseiro, grosseiro do nosso dia dia, mas o amor equilíbrio, aquele que organiza tudo que há, o sangue a correr nas veias, o ir e vir das marés, o acaso dos encontros sagrados, o doce do abraço pelo abraço, mas encontrar esse amor não grosseiro na nossa rotina para além dessas coisas que falei não é fácil, por isso mesmo o divino aparece com força em nós, quando a razão não basta, o místico se apresenta.
Ainda em Espinoza encontramos: “Não há esperança sem medo, nem medo sem esperança”. Se o medo está aqui, não há como dele empreendermos fuga, então o medo é parte do divino, se nos atrasa, também  nos empurra para a vibração da vida que só acontece no agir, lutar, vencer e cultivar.
Agir para vencer, lutar para dominar e cultivar para quando não formos mais essa consciência, nos sorrisos dos que vão chegar, nas novas roupas de Deus, no beijo de casais na praça de alguma maneira nós ainda estarmos e nos encontrarmos.




Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys