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Ediney Santana- Foto: Renata Madureira
Incrível como por aqui, ter algum amigo influente, ser de um partido ou dizer amém para Deus ou Diabo pode ser o caminho mais fácil para um bom emprego, fama ou qualquer outra coisa. “Triste” de quem não tem amigos ou correligionários influentes em um dos três poderes da nossa canibal república, entra na fila dos “porém, toda via, quem sabe, talvez” e da má vontade, até passar em concurso público pode não significar nada além de alegria que se entristece com o tempo, pode ser um longo esperar esperar e nunca ser nomeado, mas com um pouco de sorte se atrás de você, na lista de aprovados, ficar alguém que tenha esses tais amigos influentes, beleza, você vai ser chamado para que o camarada de  ilustres amigos  seja nomeado, por outro lado, você pode ter sorte e o concurso realizado pela prefeitura municipal de Asa Branca do Centro Norte tenha um prefeito honestíssimo que mande ao diabo os ilustres e seus amigos.
Estudar, ter diploma, honestidade, nada disso tem valor real no Brasil, não se estimula inteligência pelo contrário, a preguiça intelectual é a grande pedagogia, estimula-se a dependência do governo e o culto de lideres ou artistas parasitários que com discurso místico-político falam em “iluminação”, que nascemos para sermos” felizes”, que devemos “tomar posse do nosso tesouro”. Tudo balela para incentivar a preguiça intelectual, a cafajestada pedagógica e o controle social nas mãos dos canalhas de sempre.
Vejo neste país o mal rindo e vitorioso sobre o bem, o discurso que não se realiza prática rindo das nossas misérias, vejo quem fode com a vida das pessoas sendo carregados nas costas por estas mesmas pessoas, vejo bandidos ricos sendo chamados de “doutor”, aqui o dinheiro não tem origem, pouco importa se seja do crime ou não, se esteja sujo de sangue ou não, é apenas dinheiro e abre as portas sejam de igrejas ou da casa do diabo, gente preguiçosa intelectualmente defendendo a mordaça para quem não concorda com suas ideias, são democratas desde que sejam exterminados todos que questione a “diversidade” do mundo que defendem, diversidade boa para essa gente é a diversidade do império da única e exclusiva visão de mundo deles, tudo que por fim negam no outro não é nada além do que de corpo e alma também são.
“Suave é a noite” como escreveu Francis Scott Fitzgerald, e o amor pode e nasce em momentos insólitos, quando no coração a bola fogo da solidão nos joga ao chão, quando amigos são apenas meros conhecidos, quando o próprio amor se transforma em algoz, nesta noite podemos encontrar coisas suaves e sermos mesmo que no silêncio das nossas inquietudes felizes.
O Brasil é esse lugar que é todo lugar.  Eu vivo entre o litoral e o sertão, perto da minha casa o mar sopra sobre a cidade brisas marinhas, olhando para o norte me lembro do meu pequeno lugar e de como tudo poderia ser diferente se por la eu tivesse crescido, talvez hoje fosse um pacato trabalhador rural com mãos calejadas e a velhice precoce redesenhando meu rosto curtido de sol, talvez estivesse casado, vivendo em uma pequenina casa e extremante feliz, talvez fosse tudo que desenho aqui no mistério dos meus pensamentos...Hoje sou uma alma hermafrodita, nem sertaneja tão pouco do recôncavo, dois mundo que deveria ser um só país, mas nossos mais celebres preconceitos nos separam.
O sertão é a natureza, o recôncavo é necessidade de ser visto, do brilho e do palco, o sertão é o encontro dos homens e mulheres com a essência telúrica da nossa natureza humana, o recôncavo é a presunção europeia somada à solidão africana. O sertão é tempo presente, o recôncavo é um gerúndio.
Todos nós somos vitimas da preguiça intelectual, da dor programada para sempre nos torturar sobre a língua ferrugem desse gerúndio ou do presente desesperador... Caminhar é preciso, amar quem nos quer bem também...





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