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O amor segundo Bertrand Russell

Ediney Santana- Foto: Sérgio Damião
Bertrand Russell morreu aos 98 anos , além de diversas obras literárias, “colecionava” também casamentos, causou-se pela quarta e última vez quando tinha 80 anos. Filósofo e ativista, até nos anos finais da vida dedicou-se a diversas  causas humanistas, foi contra a guerra do Vietnã e armamento nuclear, apontou diversas soluções para problemas sociais, podemos dizer que o coração de Russell era dividido em duas partes: o amor pela filosofia e o amor pelas mulheres. O amor foi o centro da sua vida intelectual, o amor que quando amigo da razão pode fazer os únicos e verdadeiros milagres em uma vida, o problema é acreditar na possibilidade da amizade entre amor e razão.
Entre uma causa social e outra, Russell, deixava seu coração apaixonado falar pela sua filosofia: “Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria”. Escreveu essa belíssima reflexão, Russell, para nos dizer que antes de qualquer coisa o amor é a porta para de tudo na vida termos contentamento.
Amor é sentimento que só faz sentido se compartilhado, sobre isso escreveu Russell: “O anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade”. “Dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade”, amor coletivo que não anula o amor individual, aquele que nossa intimidade nos abre os braços, eterniza histórias, traz aquela esperança boa a nos aquecer coração.
Fico pensando, um coração que atravessou quase um século, inquieto, falando do mundo possível de existir, das vogais amor templo bom para quem estivesse ali com ele nas mãos folheando suas verdades não dogmáticas, Bertrand Russell, nos deixou um legado maravilho de que sem amor toda esperança é amarga, podemos ser cerebrais, mas sem amor ficamos sempre a porta da loucura.
Sobre Edith Finch, sua quarta esposa, Bertrand Russell, escreveu: “A satisfação que então sentíamos em ser companheiros foi crescendo e parece continuar crescendo sem limites, convertendo-se numa felicidade  duradoura e estável  que é a base da nossa vida”. A satisfação do companheirismo recria nossas vidas, a sensação de paz espiritual que nosso coração sente no verso amigo a nos acolher.
Hoje à noite corações andavam de mãos dadas pela Purificação, tudo é tão poeira em canto de tristeza, é preciso reconhecer do sabor o gelo da solidão, amor pode ser para além de nós sem aqui ser par. Hoje pela tarde formiguinhas andavam pelo açucareiro, doce tarde, aranhas entre os livros e olhos sem enxergar sentia do tempo o medo da noite solitária.
“Ela não ama você, ela ama o que você faz por ela” me diz o filme do Steven Spielberg, ETs andam pelo telhado, colhem orvalhos e estendem seus dedinhos ao desenhar o nome bom do amor... Nome bom do amor é o nome a nos revelar que o tempo da solidão agora é tempo de dois somarmos um.
Amor é metafisica, cama e ansiedade de almas, sejamos nunca breves no calor desse bem que só dois corações sabem cantar, poema e oração, vem orar comigo, diz do teu coração e te digo dos salmos ao  diz o quanto amamos.
Não nascemos para o sopro singular da vida, razão par para além de nós para ser revelado no amor à beleza que é sentir no nosso peito o bater de outro coração, amor é sentir o frio e o calor de outra vida na nossa vida, dizer da filosofia a divisão que soma.
* As frases de Bertrand Russell foram retiradas do livro: “Russell, Os Pensadores, Ed. Abril 1978


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