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Nelson Mandela e a vida que segue

Morreu agora a pouco Nelson Mandela, coração sincero na busca pelo delicado equilíbrio entre pessoas e crenças diferentes em um mundo em que a intolerância corrói feito ácido nossas relações, cria padrões, destrói vidas e finca na carne à bandeira da igualdade a qual na maioria das vezes não passa de um eufemismo abortífero da diversidade fraterna, tão essencial para nós e nos foi dada como uma dadiva da natureza que nossa cultura artificial civilizatória tanta a todo custo matar.
 “Não quero que me olhem como um homem negro, me olhem como um homem”, ao dizer isso Milton Santos nos dizia que não queria ser tratado de maneira diferente por ser negro, queria as mesmas oportunidades e condições sociais.
 Nelson Mandela dizia, “somos todos irmãos, há espaços para todos”. Por acreditar na possibilidade de todos viverem em igualdade jurídica e social, mas respeitando a diversidade que faz de cada um ser o que é sem isso nos tornar menor ou superior enquanto pessoas Mandela passou quase trinta anos na prisão, boa parte do tempo sem contato algum com mundo fora das quatro paredes da sua cela, mas enquanto esteve fora da prisão fez o suficiente para se tornar uma das pessoas mais incríveis, inspiradora e motivadora do mundo contemporâneo.
Há muitos apartheids ainda não vencidos, não só na África do Sul como em todo mundo, mas pessoas como Mandela nos dizem que é possível vencermos muitos desses apartheids. Se não se pode mudar a história de um país como fez Mandela, ao menos podemos nos tornar mais serenos nas nossas relações cotidianas. Fato que Mandela deixa um importante legado, sua história de vida traduz seus ideias, manteve-se fiel até o fim a todo povo do seu país, negros e brancos, de todas religiões, muito diferente do apartheid ideológico que muitos supostos lideres aqui no Brasil lentamente vão construindo.
Viver é muito mais que simplesmente estarmos aqui e em uma frase do Mandela o resumo de tudo: “O que conta na vida não é o mero fato de termos vivido. É a diferença que fizemos na vida dos outros que determina o significado da vida que levamos".

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Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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