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Mostrando postagens de Julho 11, 2013

As pedras de Drummond*

Pelo caminho pedras, algumas engolir a seco, outras entre vinho e tangos argentinos convidei para a madrugada de todas as insônias. No meio do caminho moinhos de vento atiravam pedras, pedras no estômago e caracóis esmagados cantavam: “no meio do caminho havia uma pedra”. Entre o beijo e horizonte havia uma pedra, mas havia um caminho entre as pedras. Havia no meio do caminho corações e pedras, mas havia um caminho que teimava em ser caminho mesmo com as pedras no meio do caminho. O riso nasceu entre pedras, o amor entre pedras, o caminho é que era teimoso e dizia: vai Ney ser torto nesta vida, seja torto como os caminhos que contornam pedras, mas não seja pedra no coração. No meio do caminho dois corações e uma pedra, mas não havia pedras nos corações, o caminho teimoso dizia: há uma pedra no meio do caminho e todos iam como uma procissão que por caminhos tortos busca o encontro com Deus, como um rio a correr por tortas margens para alegria do mar. * Livremente inspirado no poema “N…