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Mostrando postagens de Novembro 18, 2013

Das virtudes

Quando era criança morei perto de uns garotos que se comparados ao que eu e minha família representávamos, eles eram ricos e nós pobres, mesmo assim, criados ali na mesma rua e na inocência da infância na década de 1980, ficamos amigos. Minha mãe não gostava muito da ideia de que frequentasse a casa de pessoas como aqueles garotos, ela dizia que a corda sempre quebrava do lado mais fraco, se algo de ruim acontecesse logo eu seria apontado como suspeito, mesmo sendo inocente ou começasse a me sentir frustrado ao perceber o abismo entre a realidade deles e a minha. Naquele tempo diferenças sociais eram mais acentuadas, às vezes acentuadas até de maneira jocosa. Para ser considerado “rico” bastava ter um telefone em casa, “pobre” usava o telefone da Telebahia, para ser “rico” bastava ter um carro, “pobre” era ter uma Monark com único meio de locomoção, “rico” tinha cadeira cativa em frente ao altar da Purificação, “pobre” sentava nas últimas cadeiras, “rico” era “gente da sociedade”, “p…