Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Dezembro 10, 2013

“Tenho nos olhos quimeras”*

Ao andar pelas trilhas do sertão nas férias de março, achava estranho quando era tempo de seca, aquele chão rachado tão diferente do litoral da Bahia no qual a chuva nunca foi problema, excetuando-se quando o velho Subaé resolvia deixar seu leito estreito e nos ensinar que com água não se brinca. O chão seco e rachado parecia o rosto velho da minha vó e das vós do litoral, a velhice não tem lugar, a velhice é o sertão seco e o litoral festivo, a Bahia mágica e por vezes tola. Passei a vida perto da linha do trem, desde meu nascimento até hoje vivo perto da linha, o trem é aquele coisa meio dinossauro, meio encantamento, no sertão cortava os grotões, no litoral cruzava as pontes sobre o mar, o trem era e foi definitivamente meu encanto, as linhas tortas, o caminho para bem, a salvação da fome, o passado dizendo agradecido ao futuro que correu pela estrada de ferro. A sociedade nos separa, a cultura nos separa, a economia nos separa, o país nos separa, estados nos separam, cor nos separ…