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Da necessidade do egoísmo

Egoísmo: amor que não se divide, ser generoso apenas consigo, ser incapaz de um gesto de bondade, viver em uma ilha cercada de “eus” por todos os lados. O egoísmo visto desta forma é algo pavoroso, mas se olharmos de outra maneira, ser egoísta moderado, respeitando não só nossas necessidades, mas também das outras pessoas, é algo necessário e que pode salvar nossas vidas e nos fazer trilhar caminhos interpessoais menos tortuosos; o egoísmo moderado nos afasta dos estelionatários emocionais, dos sugadores de energia, oportunistas percebem quando estamos fragilizados, como uma ameba, devoram calmamente nosso fígado, tudo entre risos, demonstrações de afetividade e carinho; sem o egoísmo moderado deixamos a prudência de lado e marchamos calmamente para a guilhotina como se estivéssemos indo para o altar com o amor da nossa vida.
Generosidade em excesso pode nos levar ao chão, não se pode oferecer o que não temos ou colocar em perigo nossa própria estabilidade emocional, por exemplo, fazer feliz alguém hipotecando nossa própria felicidade. Creio que as boas relações são baseadas em compartilhamentos voluntários, sacrifícios emocionais nunca é boa coisa, pensa erroneamente quem acredita que sendo um tapete para o outro pisar faz bem para essa pessoa e que assim também será amado, não há engano mais torpe e tolo.
Quando um barco afunda, a água começa invadir aos poucos, os mais atentos percebem logo, os que acreditarem na segurança inabalável da embarcação pode não ter um fim muito bom, assim são nossas relações interpessoais, a ferrugem começa aos pouquinhos, mas em muitos casos vai-se relevando, achando que não significa nada diante a grandiosidade de sermos parceiros, até que um dia descobrimos que há muito o barco já naufragou e ainda sonhávamos com o horizonte.
O amor é cego, quem não pode ser cego mesmo é a nossa inteligência, o amor sem inteligência não releva os pequenos pontos de ferrugem e acaba amando pó e ilusão, como a mãe que descobre o filho dependente químico e por “amor” financia seu o vicio, como a esposa que por amor releva as porradas do marido, como o namorado que sabe que a namorada o trai e mesmo assim casa-se com ela na esperança que o matrimonio opere o santo milagre do respeito conjugal.
Negociar erros, entender que não somos santos e infalíveis é importante, mas ser inocente diante o óbvio terror de que se é incapaz de reagir a humilhações emocionais, ou que tornou-se dependente de uma situação em que até mesmo a lama da falta de respeito parece algo merecido e que não é o outro que nos agredi é sim nós que não fizemos por merecer algo melhor é o sinal claro da decadência moral, espiritual e por fim da ética pessoal.
Se desejarmos andar em direção a uma pessoa, essa pessoa também deve desejar andar em nossa direção, não existe amar por dois, ser amigo por dois.  Antes de cruzarmos a fronteira que nos levará para outro lugar é preciso saber que ser egoísta moderado é ter atenção com as coisas que ficam entre aspas.
Prestar atenção nas aspas deveria ser além de um exercício social de relacionamentos, algo comum e até prazeroso. Relações interpessoais se tornaram uma grande propaganda em que se vende geralmente ilusões, prestamos atenção na grandiosidade das coisas, mas o que mais importa não observamos, só o tempo nos desnuda, mas também traz conforto: ser egoísta moderado, ir ao encontro de quem demostra solidariedade, prestar sempre atenção nas entrelinhas, saber que ir encontrar outra pessoas é mais prazeroso e saudável quando essa pessoa também anda em sua direção  e não descansa em um horizonte de nebulosa ilusão.... Não desistir na primeira queda, tão pouco passar a vida caindo.




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