Nossos dias felizes

Hoje caminhado com minha filha, disse: seu pai um dia vai ficar velho, então é você quem vai me segurar pela mão ao atravessar a rua, ela respondeu: é só você cortar a barba e nunca fica velho. Doce momento, uma nostalgia do bem tomou conta de mim, lembrei-me do meu pai me carregando nos ombros para irmos atrás do trio elétrico “Subaé” e um dia quando ficamos conversando na porta da estação ferroviária, contei meus planos para minha maior idade. Nostalgia do bem, amor do bem, sim, porque pode existir amor que seja para o mal, o amor que só nós sentimos é amor do mal, porque nasce e morre com a gente, amor do bem é esse que a saudade não é tristeza e sim alegria de ter vivido algo.
A gente munda e nem percebe, já fui mais explosivo, sem notar, fui me tornando introspectivo, como uma esponja que suga tudo para si. Gabriely Del Fabria, uma amiga minha psicóloga, disse que isso é ruim, que um dia meus nervos não vão aguentar e posso ter um derrame ou infarto. Acho que ela exagerou, só sei que perdi a força de reação diante algumas situações, em vez de querer mudar a montanha de lugar, simplesmente a contorno, vou embora e não olho para trás.
Seja como for, penso que ouvir, ler as coisas, prestar atenção nas entrelinhas fortalece nossas tomadas de decisões. A palavra sempre diz mais do que pensamos ter entendido ou dito, nem sempre contornar uma montanha significa covardia ao enfrentar problemas, creio que depois de um tempo se aprende que não vale apena algumas guerras, quanto mais batalhas.
Gosto de músicas estadunidense dos anos de 1950-1960, mesmo não falando inglês, talvez isso seja a causa do meu gostar delas, quando ouço aqui durante a madrugada (só combinam com a madrugada, durante o dia são chatas) vou longe, me levam para outra dimensão, a tal nostalgia do bem que falei. Nesta dimensão tudo acontece como sinto, sou feliz ao máximo e o amor sempre esteve aqui ao lado, algo bom de sentir, tem gente que sente isso meditando, eu sinto ouvindo música.
Sou romântico, não meloso, mas romântico, daquelas que não mandam flores, no entanto se apaixonam pelas almas das pessoas, claro, neste tempo tão sem romantismo espiritual e sim visual nem sempre é uma boa ser assim, mas não se escolhe ser isso ou aquilo em termos de coração, você pode nascer com um bom coração ou estragado como meu, então o melhor é se acostumar, porque vai passar a vida batendo descompassado, mas amando, no fundo isso que importar, amar para o amor e pelo amor.




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