A vida segudo Gabriel García Márquez

Há muito minha vontade de conhecer pessoas arrefeceu, gente tem me dado medo, não por acaso reaprendi a beber só, falar só, sentir prazer com minha presença e não ter no coração de pessoa alguma minhas esperanças, se naufrago sou único responsável pelo meu naufrágio, se feliz, parte de mim todo riso que alegra minha alma. Gente é o medo, desespero a possibilidade de algo sempre sair errado, gente é alegria e a razão da dor. Morreu hoje Gabriel García Márquez, o único escritor que desejei conhecer, umas das poucas pessoas em que meu calor e alegria de conhecer gente me inspiravam.
A vida segundo Gabriel García Márquez não era previsível, de algo bem simplório poderia desencadear uma aventura espetacular, o que move a literatura de Gabriel García Márquez são os pequenos absurdos da vida, aquele fato prosaico que ninguém presta atenção ou ignora em sua essência o que pode causar.
Enquanto muitos escritores se perdem tentando provar erudição ou genialidade, Gabriel García Márquez partiu do simples para dialogar com os improváveis mistérios da vida, escreveu como se fosse aquela criança em permanente encanto com o mundo, recriando em literatura a vida política, amorosa e cultural da América Latina  fez da sua literatura umas das vozes mais poderosas do nosso tempo.
Gabriel García Márquez me ensinou a beleza da solidão, a alegria do encontro, ensinou com sua literatura que às vezes se pode sim tirar leite de pedra, me deixou fascinado sua capacidade de criar e recriar personagens, me incentivou também a escrever, a brincar com o fantástico, delírios e insólito, crie o blog “A vida reinventada e outas histórias”, http://edineysantana.zi.net  inspirado nele, talvez uma tentativa de copiá-lo, mas mais que isso a alegria de ter encontrado sua literatura.
A arte torna a vida menos previsível, mais encantadora, nossa jornada solitária mais intensa e profunda, escrever é buscar a comoção dos nossos segredos revelados em paixões. Essa noite a América Latina ficou mais escura, essa noite estou triste, essa noite escrevo só para dizer: Obrigado Gabriel García Márquez





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