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Quem controla a fome, controla o poder

Seu estudo sobre a fome  traçava paralelo entre produtividade e  maneira como trabalhadores se alimentavam, serviu dentre outros estudos como guia para o presidente Getúlio Vargas criar o salário mínimo, que deveria ser suficiente para garantir durante um mês o sustento do trabalhador.
Seu nome? Josué de Castro: O que fez? Estudou a fome no Brasil, isso mesmo, estudou a fome. Para muitas pessoas a fome acontece por falta vontade de trabalhar, falta de chuva no sertão, porque “um nasce pra sofrer. Enquanto o outro ri.” como cantou Tim Maia. Josué de Castro ao fazer a radiografia da fome, jogou por terra todos esses absurdos, a fome tem raízes políticas e não é algo determinista, é pensada e articulada, não raro para manter a dependência de quem tem fome dos ascetas políticos, quem controla a fome, tem o poder na mão.
Josué de Castro nasceu em Recife em 1908 e faleceu em Paris em 1973. Foi médico, professor, escritor, geógrafo. Sua vida toda foi dedicada ao combate da fome, por isso estudou profundamente o que há entre o sol forte no sertão e a mesa vazia do povo. Outro dia falando com um conhecido sobre Josué de Castro, ele me disse: “isso todo mundo já sabe”, olha que interessante, esse “todo mundo já sabe” vem carregado com algo que Josué de Castro combateu, a ideia de que as coisas acontecem do nada, foram sempre foi assim e sempre serão.
A pessoa que acredita na geração espontânea de problemas sociais, desconhece a  matriz de todos eles, falta visão social do mundo, olha o mundo com olhares de superstição, não raro esse olhar é plantado por uma educação controlada por um Estado pervertido politicamente, desconhece causas primárias e aceita explicações simplórias sobre sua própria condição.
“Sei o que meus pacientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença desta gente é fome”. Essa frase foi dita por ele ao examinar trabalhadores de uma fábrica, sua audácia custou-lhe o emprego, mas naquele dia seus olhos abriram para uma realidade que precisava ser enfrentada: a fome e doença eram ali questões sociais e políticas, mas estavam ocultadas no manto de problemas climáticos e preconceitos geográficos.
A fome vem sendo usada de muitas maneiras para manter dependência crônica dos mais pobres com políticos, em especial no nordeste do país, a região é mantida artificialmente em desvantagem social e econômica com o restante do país, tudo colocado na conta da seca, do clima, quando se pode sim conviver com adversidades climáticas, ao ler Josué de Castro penso como a inteligência para o bem no país sempre foi neutralizada, mas já sabemos o caminho, basta-nos nesta seara política escolhermos a melhor maneira de caminharmos.




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