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Reagindo com amor



Reagimos com amor quando temos pedras ao alcance das mãos, mas lembramos que somos pecadores, reagimos com amor quando tudo escurece e  sobre nossas costas estalam chicotes implacavelmente ferozes e mesmo assim não maldizemos da nossa sorte, reagimos com amor quando pessoas nos olham com o olhar do mal, mas retribuímos com aquela oração silenciosa, reagimos como amor quando tudo que somos é “ um catálogo de erros”*, mas não culpamos pessoa alguma por nossas derrotas.
Alguém já escreveu que o mundo é uma rede, quem não faz parte dela simplesmente não existe, assim como todos os dias pessoas são colocadas na rede, outras tantas são expulsas, eu já estive na rede, fui expulso, mas não me esforcei para voltar, às vezes é preciso descer ao inferno para ascender ao paraíso, mas rede alguma é paraíso, por mais que tenha um bom coração , um vez na rede, todos os dias seu coração embrutece um pouco, até chegar o dia em que o reflexo do espelho é de um  mero desconhecido.
No filme “AI Inteligência artificial”, há uma passagem em que um robozinho programado para “amar” sua dona como se fosse sua “mãe”, fica desesperado por não conseguir encontrá-la, então fala para outro robô que sua “mãe” o ama, ouve em resposta: “ela não ama você, ela ama o que você faz por ela”. Quantas vezes pensamos ser amados e queridos, mas em verdade, as pessoas apenas gostam do que fazemos por elas e não de nós, somos apenas pontes para alguém conquistar alguma coisa, isso é triste, mas é assim que a rede social funciona.
Não posso desejar que algo de errado aconteça para tirar proveito das desgraças alheias. Antigamente as funerárias ganhavam dinheiro apenas vendendo caixões, parecia um bom negócio, todo mundo morre, todo mundo um dia vai precisar de um caixão, mas as funerárias perceberam que com o aumento da expectativa de vida, de alguma maneira teriam que esperar muito para pegar o dinheiro e as mensalidades dos planos funerários eram muito pequenas, o que diminuía os lucros, então mudou a velha estratégia de ter lucros apenas vendendo caixões, criaram planos de saúde populares, passaram a investir na saúde dos seus clientes, sem falar nas pessoas que começaram a ter planos funerários justamente por causa do atendimento médico, os donos de funerárias descobriam que o grande negócio não é a morte e sim a vida.
Acontece que muitas vezes na rede social se acredita mais na morte que na vida, não posso desejar que o prefeito, governador ou presidente fracassem, isso seria burrice, o fracasso na política coloca em risco a vida de todos, mesmo sendo oposição, minha aposta é no sucesso do adversário, meu discurso será apontar seus erros e não desejar que erre,desejo que tenhamos gestores sensíveis, valorize não só críticas positivas, nem sempre sinceras. Às vezes aprendemos mais com quem nos odeia do que com quem diz nos amar, ser adversário não é o mesmo que ser desleal, reagimos com amor quando não criamos problemas para vendermos soluções.
Lembro de uma história: dois homens estavam sentados lado a lado em um barco, estavam em alto mar, quando o comandante avisou que o barco iria afundar, para piorar não havia coletes suficientes e nem botes salva-vidas, um dos homens se desesperou, mas olhar ao lado, o outro homem estava calmo, lia um jornal, o homem apavorado diz: você não ouviu o comandante dizer que o barco vai afundar, fica nesta calma toda, o outro homem respondeu: esse barco não é meu.
Muitas vezes nos comportamos como o homem do barco, mesmo prestes a morrer, não nos incomodamos tão somente porque o barco não é nosso. Fechamos os olhos para a dor e sofrimento do outro, para o desemprego e fome de alguém, para violência, porque temos a tola ideia que o “barco” não é nosso, mas é, a rede social eu, você: a mulher rica, a prostitua, o homem na janela olhando a rua, todos estamos no mesmo barco, a água que afoga um, afoga todos, por isso temos que reagir com amor, enquanto há tempo, reagir com amor não é ser bonzinho, é ser justo com o que somos e com quem nos relacionamos.
A coisa mais triste do mundo não é a morte de alguém,mas é morrer  como se nunca tivesse existido, bem não foi enterrado e é sumariamente esquecido, lembro de muitas pessoas atuantes na sociedade, amigos ou conhecidos , enfim muitas pessoas que parecem nunca ter estado entre nós, mas cada pessoa deixa seu legado, algo que podemos aprender, a não reação com o amor destrói o senso comum positivo e nos faz reféns do que a rede social escolhe como importante.
http://livrosdeedineysantana.blogspot.com.br/
* Frase de Renato Russo 

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