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A honestidade forçada

Dos meus quarenta anos de vida ao menos politicamente esse é o mais intenso e interessante no Brasil. Até a eleição de Lula as esquerdas políticas representavam de alguma maneira esperança, o discurso ético apontava para um futuro agradável, mas não foi isso que aconteceu, uma vez no poder as esquerdas jogaram ao chão a beleza das utopias, aquela esperança tornou-se fúnebre, mas o povo não era o mesmo povo de sempre passivo e caduco sobre seus infortúnios políticos.
Com a queda das verdades esquerdistas, não se abriu espaço para lideres e seus discursos presumidamente alternativos, tão pouco a chamada direita herdaria a gestão política do país com facilidade, levando a uma alternância de poder simplória, mas sem mudanças pragmática na estrutura gerenciativa do país.
Na agenda política agora o povo se insere de maneira menos ficcional. O povo, esse mesmo ser complexo, total e social que antes sempre estava no abstrato dos discursos políticos agora é objetivamente ativo, ainda somos e espero sermos para sempre uma democracia, mas não é sem alguma emoção que passo perto do Palácio do Planalto e o vejo cercado, isolado e distante do povo, parece temeroso, isso obviamente não é bom para democracia.
Nem o povo deve temer o governo , nem o governo deve temer ao povo, mas depois de anos de expropriação é bom esse mesmo povo dizer ao governo que ele deve ser e é uma extensão do sentimento de toda nação, não há autoridade maior que povo, nada pode ser para além ou aquém dele, o governo que não entende isso é fadado à queda.
Seja lá quem vença as próximas eleições deve ter a certeza que governar por proselitismos ou ser apenas gerenciador de partidos e financiadores de campanha não será algo aceito por parte considerável desse povo, penso que estamos entrando no tempo da honestidade forçada, políticos acostumados a prestarem contas apenas aos seus pares e financiadores terão que renegar práticas obscuras e fazer do mandato de cada o que sempre deveriam ter feito: representar o povo.
Seria a glória da nossa democracia se no lugar de forçar políticos a ser honestos, a totalidade do povo não votassem mais nos desonestos, varrer para longe da política políticos obscuros, mas meu entusiasmo tem aspas, sei que ainda vamos demorar um pouco para que acontece  nas ruas neste momento chegue nas urnas com a força da mudança desejada, mas estou feliz por presencia o tempo em que o Brasil e seu povo deixaram de ser passivos e começaram a fazer com as próprias mãos o presente e futuro que coletivamente tanto sonhamos.


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