Pular para o conteúdo principal

O fim do mito da democracia racial

Katherine Dunham
Katherine Dunham, era uma mulher linda, beleza singular. Bailarina e pesquisadora de danças de origens africanas, veio ao Brasil com sua companhia a “Katherine Dunham Company”, era o ano de 1950, ao tentar se hospedar em um hotel na cidade de São Paulo foi impedida, o motivo? O hotel não aceitava pessoas negras, no Brasil o caso passou quase despercebido, mas nos Estados Unidos teve grande repercussão, como disse, no Brasil passou quase despercebido, se não fosse por um deputado da UDN, partido governista: Afonso Arinos de Melo Franco.
Em julho de 1951 o Congresso Nacional aprovou a lei 1.390, a lei de autoria de Afonso Arinos transformava em contravenção penal qualquer ato de preconceito de raça ou cor, foi a primeira lei de enfrentamento ao racismo no país, não só isso, com ela pela primeira vez o Estado entendia que a ideia de democracia racial no Brasil era um mito, já que  precisava-se de leis para coibir o racismo e preconceito.
Em 1988 a lei Afonso Arinos foi ampliada e modificada por uma proposta deputado Carlos Alberto Oliveira, (Caó) a lei 7.716 mudou de contravenção para crime com pena de até cinco anos de prisão qualquer descriminação por raça e cor. O então deputado Paulo Paim (hoje senador) ampliou mais uma vez a lei, agora também é crime xingamentos e ofensas baseadas na cor da pele.
São Paulo 12 de junho de 2014, abertura da Copa do Mundo, torcedores xingam a presidente Dilma Rousseff. Acuada, sua fisionomia vai da vergonha ao medo, ali o Estado poderoso que ela representa nada pôde fazer, o esquema de segurança planejado durante meses para coibir e intimidar manifestações durante a Copa nada pôde fazer. A cena é lamentável, nem ela nem pessoa alguma merecem aquilo, não por ser a presidente, mas por ser pessoa, gente, nenhum ser vivo merece ser tripudiado, humilhado por outro.  
Nas redes sociais a reação dos partidários da presidente poderia ser enquadrada na lei contra o racismo, a lei não é exclusiva para proteção dos negros, a lei protege qualquer pessoa que se sinta ameaçada ou constrangida por sua cor ou raça. O fato acontecido no estádio de futebol foi transformado por militantes da demente esquerda brasileira em uma disputa de classes que tem como base o poder econômico e a cor das pessoas.
Afonso Arinos de Melo Franco
“Elite branca”, “Burguesia branca”, “branquelos ricos”. A presidente Dilma disse: “O povo não reage assim, é civilizado e extremamente generoso e educado”, quer dizer que se eu erguer-me da minha pobreza, deixo de ser povo, passo a classe média não serei mais educado e generoso? A presidente Dilma ainda completou que atitudes como as dos torcedores no estádio “não era coisa de brasileiros”, essas frases da presidente foi muito mais grave que os xingamentos, a presidente da república, mesmo que simbolicamente retirou a cidadania de milhares de brasileiros, ela enquanto presidente não pode separar o país em classes, longe disso, deve se emprenhar para termos uma nação igualitária nas oportunidades sociais e assegurar a diversidade de opiniões.
Quando me lembro do caso da Katherine Dunham me lembro de Dilma sendo xingada, quando encontro na história importantes parlamentares como Afonso Arinos, Carlos Alberto Oliveira e Paulo Paim que nunca quiseram alargar o abismo racial ou de classe no Brasil e comparo com essa tentativa cretina e canalha de políticos e sociólogos bravateiros que deviam olhar a nação como uma só em todas suas contradições e não quere dividi-la politicamente em luta de classes ou racialmente visando tão somente manter o poder que eles têm e perpetuar a ideia de que eles se importam com o povo sinto um imenso nojo.
O senhor Leonardo Boff escreveu um triste artigo, aliás, como sempre o faz, intitulado: “Quem envergonhou o Brasil aqui e lá fora?” Eu respondo: envergonha o Brasil aqui e lá fora é nossa educação ser um das piores do mundo, envergonha o Brasil aqui e lá fora essa tentativa quixotesca de romancear a vida do povo pobre desse país como se vivêssemos no paraíso em que o caminho a verdade e a vida é esse governo de nababos, todos classe média alta e que não teriam a vida que tem se não fossem políticos, envergonha o Brasil aqui e lá fora o nordeste ser a região mais violenta e miserável do Brasil e o próprio governo investir mais em regiões mais ricas que aqui , envergonha o Brasil aqui e lá fora todos fins de semana mais de trinta jovens serem assassinados na Bahia e a polícia só resolver 05% dos casos de crimes, envergonha o Brasil aqui e la fora a privatização do ensino público superior , nossa educação entregue a grandes empresas vendedoras diploma, criando uma geração de analfabetos com curso superior, envergonha o Brasil aqui e lá fora que milhares de pobres sejam barrados não só em porta de hotéis, mas dos hospitais públicos infectos, desesperados na fila do desemprego, envergonha o Brasil a cumplicidade de intelectuais e artistas brasileiros com essa onda de crimes contra o patrimônio públicos, envergonha o Brasil aqui e lá fora o que um bando de canalhas orientados por psicopatas ligados a partidos políticos fizeram com a Yoani Sánchez em sua visita ao Brasil em que foi xingada, agredida e impedida de falar, um ser humano tanto quanto a Dilma, me envergonha a ideia de que se xingar uma mulher ou tentar agredi-la em defesa de um país estrangeiro seja perfeitamente aceitável, mas se xingar a presidente Dilma é coisa de meio brasileiros, estropiados de cidadania.






Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

Livros. Bendita seja minha mãe que aos livros me apresentou, benditos livros que não me tornaram parte do lado doce da vida, mas também não me deixaram afundar no lodo existencial.  Bendita sejam todos letrados ou iletrados, benditos sejam os olhos "cegos" do meu pai que foram os guias dos meus passos, bendita seja cada letra do alfabeto, cada virgula, ponto, travessão, exclamação, dois pontos para me levarem ao mundo sem dor. Benditos sejam os anjos das vogais, os doutos das consoantes, Bendita seja minha professora Norma e sua doce alegria que na minha adolescência me mostrou a poesia da gramática, bendito seja meu professor Anchieta Nery  que me disse:  -Você é poeta. Bendita seja a noite, a sempre noite das minhas insônias, as tristezas amigas, o espelho que não me reflete, bendita seja a fé que não tenho,  esteja comigo para que na hora da minha morte eu não sofra o que já sofri pelas horas da vida. Benditos sejam os amores,  paixões,  verdades,incertezas da vida, gran…

A onda da mediocridade

Não acredite nesta história de "onda azul ou vermelha". Frases como essas foram criadas por empresas de propagandas, elas querem convencer você a votar da mesma maneira que nos induzem a comprar tal marca de cigarros ou cervejas. Essas empresas de publicidade não estão preocupadas com sua cidade ou sua felicidade, querem que você descida pela emoção, enquanto você ataca com sua emoção quem defende a "onda azul" ou quem defende a "onda vermelha", criando um clima de justiçamento político não enxerga o óbvio: as mentiras que são contadas, inventadas para que você se sinta bem estando de um lado ou outro, para que você tenha orgasmos políticos, como se realmente fizesse parte da mudança prometida, mas você é só uma ponte para que um grupo ou outro chegar ao poder. A “onda azul" e a " onda vermelha" são motivadas não por um sincero sentimento de esperança, realização ou sentimento cidadão, são motivadas pelo desejo de poder, é só o que aliment…

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys

O que Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys têm em comum? Todos são ex-empregados da Rede Globo. O Buarque e o Wyllys se dizem de esquerda, Veloso é...é... Olha quem sabe, porém quem nemnem. Pois bem. Há quem acredite que "gênios" se fazem sozinhos, que eles têm o poder mágico do talento e só isso basta para que tenham reconhecimento e sucesso. Não é. Sem o poder da Rede Globo nunca essas pessoas teriam o alcance que tiveram e duas delas levantariam dúvidas sobre a suposta genialidade atribuída a ambos. Dez entre dez pessoas “super inteligentes” “cabeças”, “imunes a manipulação da mídia golpista” têm no trio citado aqui algo que chamo de esquerdismo cristão. Conheço até pessoas que recusaram participação em programas da Rede Globo, acreditando assim estarem contribuindo, como bem cantou Raul Seixas, “para ao nosso belo quadro social”, mas rezam na cartilha de crias da própria Globo. Jean Wyllys é um pouco mais velho que eu, mas somos da mesma geração, militei anos n…