Promessas vãs


Vestir verde amarelo até o fim da vida, ir a pé até Aparecida do Norte e tantas outras promessas não foram feitas por um país melhor, mesmo porque um país não fica melhor por promessas e sim por responsabilidade cidadã, mas todas essas promessas foram feitas para que a Seleção Brasileira de Futebol vença a Copa do Mundo. Se os brasileiros vestissem as cores da Bandeira Nacional como vestem a camisa de um time de futebol seríamos uma grande nação cidadã e não uma grande nação e homicidas e corruptos.
Pelas ruas carros passam com bandeiras do Brasil, na TV a monotonia esportiva toma conta, ruas enfeitadas em verde amarelo, tristemente nada disso é pela bandeira em si ou pelo país. No Brasil um time que pertence a uma parasitária instituição particular é mais admirado e respeitado que qualquer instituição pública, civismo aqui é futebolístico, a pátria é chutada na bunda pelas chuteiras da promiscuidade esportiva confundida com o próprio ato esportivo e civismo.
Ao se usar as cores da bandeira como se originalmente elas pertencessem a um time de futebol é assinar o abaixo-assinado no qual se outorga aos cupins da república que ejaculem ácido de uma educação pública adestradora, de uma saúde pública violentada e de uma segurança pública assassina nas nossas caras de idiotas, torcedores das nossas próprias misérias.
 O futebol no Brasil não é esporte, é doença. Doença social, perigosa e alienante, não por acaso aqui os torcedores dizem: “sou torcedor doente”,” torcedor roxo”. Nelson Rodrigues em um momento agudo dessa doença escreveu: “A pátria de chuteiras”. Quando nossa pátria deveria ser: da saúde, da solidariedade, da amizade, da gratidão, do respeito, da vida, da saúde, do respeito à infância, juventude e velhice, a pátria do respeito às diferenças culturais e a todos os sotaques.
O esporte, inclusive o futebol, são bons aliados da saúde e da educação quando não usados politicamente para bestialização de um país e riquezas de uma gente que não teria o que tem se não fosse o uso da política de maneira criminosa.
Nunca se viu uma mobilização policial, militar e de inteligência como a que se faz agora no país, fico pensando se uma mobilização dessas fosse política permanente de segurança pública o Brasil não seria um dos países mais violentos do mundo, um país em que a vida vale absolutamente nada e o maior homicida é o Estado brasileiro com sua indiferença de abutre. Quando findar a Copa do Mundo o aparato policial será desfeito e voltamos todos para nossa rotina de medo e insegurança. Somos governados não por políticos, mas por pessoas psicopatas, quando vejo na TV essas “autoridades” tenho medo por mim e por todos, o que fizemos do nosso país? Entreguemos a essas canalhas sem coração e nem sangue.
A mobilização policial criada para a Copa do Mundo 2014 não é para garantir nossa segurança e sim encarcerar o que de mais sagrado um país pode ter: a democracia, o governo mostra suas garras ditatórias, longe de proteger nossas vidas ele quer impedir manifestações livres de democráticas de pessoas cansadas de viver em um país gestado por gângsteres. Gângsteres que não pensam duas vezes em usar o poder policial do Estado para estabelecer sua política cada vez mais totalitária e nefastas para democracia.
Como disse ontem a Juliana, uma menina que vende marmitex (quentinhas) pelas ruas de Brasília, nesta Copa do Mundo 2014 vou torcer por ela, por você que fica horas em um ponto a espera de um ônibus para voltar para casa, vou torcer pelas almas boas que movem esse país com suor honesto e esperança de dias melhores, vou torcer pelos caras que se penduram nas janelas para limpar os olhos da indiferença, vou torcer pelo pedreiro que vem do norte- nordeste e constrói edifícios e depois não podem entrar neles, vou torcer pelos pequenos que fazem malabarismo pelas ruas, enfim torcer por mim e você que é do bem.

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