Acreditar em você sempre!!!

Foto: Ediney Santana
Não há pessoa que não prove da dor e alegria de viver o mundo, há dias de sombras e dias de paixão terna da luz, há dias que nos encolhemos em um canto e apagamos a luz interior como se nunca mais o sol fosse brilhar em nossos dias, há dias que somos explosão de alegria. São as contradições que dão sentido a vida. Claro, como Buda, encontrar o meio termo pode ser a diferença entre naufragar nos estilhaços das nossas ruínas emocionais e a conquista de nós mesmos, tenha certeza, o maior inimigo que temos, vive no nosso peito, pode ser nossos medos, nossas incertezas ou a desgraçada ideia de que nossa felicidade depende tão somente de fatores externos.
Manter-se vigilante com medo de perder a felicidade pode levar a um estado de paranoia e mitificação da realidade, não se aprisiona a felicidade, assim (salvo problemas que requer atendimento psicológico) como não se é triste eternamente, tão pouco somos felizes todo o tempo, no entanto vivemos a tal ditadura da felicidade, somos obrigados a vestir a mascara da presunçosa arrogância de que somos infalíveis, o que é além de uma estupidez um erro que quase sempre custa caro.
Eu erro, eu acerto, eu sou gente, pessoa, sou a soma dos meus erros e dos meus acertos, como professor erro como qualquer outra pessoa, posso escrever caza (com z) isso não me condena, o que condena é a recusa em corrigir os erros e aprender o certo, no entanto, o certo prolongando é que causa estagnação, o erro abre as portas para o estudo e as descobertas de nossas possibilidades de caminhar com segurança pelas novas fronteiras que escolhemos cruzar.
Não há receita mágica para felicidade ou para infalibilidade, o dia seguinte da presunção é andar nu pelos cacos da própria arrogância, somos por natureza de existência seres de transição: o poderoso de hoje pode ser coroado por espinhos amanhã, o fracasso deste momento pode ser a ponte para o sucesso.
Crer em você, ter consigo uma relação solidária, não ser o algoz das próprias utopias, saber dizer adeus e não olhar para trás ou sentir saudades do que se foi, o bom que há em nós é a vida que acontece no presente, nem negociar o maior bem que podemos ter, a liberdade de escolha, com os canalhas do mundo, talvez seja nossa mais bela presença no mundo.
Ao renunciar a independência de sermos quem somos pavimenta-se o caminho para uma vida previsível, triste e que não vai deixar marca alguma além de um rascunho de existência que o tempo vai apagar com as tintas da indiferença.
Há uma canção de Roberto Carlos, embora belíssima, traz uma premissa muito perigosa, ele canta que quer ter um milhão de amigos. Eu digo, só tem um milhão de “amigos”, quem pode pagar por eles, quem tem uma vida em que os cifrões do dinheiro batem no lugar do coração, Renato Russo certa vez disse que a gente não escolhe nossos amigos, nossos amigos são quem nos escolhem, eu acredito nisso, como acredito que a primeiro amigo que devemos ter é aquele que todos os dias olhamos no espelho, para o bem ou para o mal é necessário nos amarmos incondicionalmente.
É na ausência que temos a noção exata do respeito que temos por alguém e esse alguém por nós, a ausência e o bolso vazio nos dizem o quanto somos amados ou queridos, ou vivíamos cercados de ilusão: sexo ilusão, amor ilusão, amigo ilusão, sorrisos e abraços ilusão. É melhor viver como um fantasma na multidão do que ter com qualquer pessoa o encontro falso e acreditar que fazemos sentido na vida de alguém, quando nem mesmo nossas vidas tem sentido algum para nós.
Tenha certeza, perder a fé em você mesmo é cavar a sepultura com as próprias mãos, perder-se no labirinto da autopiedade, fazer um pacto de morte com o acaso, acaso quase sempre assassino das mais celebres razões que dão sentido a vida.  O cantor Taiguara canta que: “a pior morte que existe / é se viver inutilmente”.
A Vida inútil é a que espera que algum lhe dê sentido, a vida que só acontece em razão de outra, a vida que é inútil tem medo da solidão, carece do aplauso social, cria para si um imagem e nesta imagem acredita enquanto a realidade devora seu espírito, a vida inútil vive para o mal, acredita ser o mal a única justiça, a vida inútil é um filme “B” escrito por um roteirista com o coração seco e alma de pedra.
Ir para frente, se triste não temer a tristeza, se feliz, viver imensamente o estado de felicidade, não ter a última palavra, mas uma palavra amiga. Sempre compro presente para meus amigos, mas nunca vou a uma loja apenas para essa finalidade, quando passo em algum lugar e vejo algo que me lembra um amigo, eu compro esse algo, presentear é um gesto nobre, é deixar para o outro nossa alegria de levar no coração lembranças que nos fazem bem, mas para isso tudo acontecer é fundamental nunca perder a crença em si mesmo, seja lá o que se passa com você agora, vá sempre para frente, acredite, eu sei, ficar parado esperando alguém que estenda a mão pode não ser uma boa alternativa, mas se alguém precisar e você puder, estenda a sua e não espere nada em troca, isso faz um bem danado ao espírito.
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