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Hexa campeão em miséria

Em junho do ano passado acontecia a Copa das Confederações, uma prévia para a Copa do Mundo, pequenos grupos de brasileiros insatisfeitos com os gastos para Copa do Mundo e com o preço das passagens de ônibus começaram a sair nas ruas em São Paulo, logo em todo país pessoas começaram a ir para ruas, milhões de pessoas ao final, o governo e a politicalha levaram um susto, pensaram que assim como na Primavera Árabe “reis” perderiam suas cabeças.
Era divertido ouvir os discursos trêmulos e desconexos da politicalha e o medo que naqueles dias eles sentiram do povo, até que como em um passe de mágica no meio das manifestações começaram aparecer encapuzados que a impressa logo chamou de “vândalos”, essa palavra começou a ser repetida milhares de vezes por dia em todos os jornais: “vândalos se infiltraram no meio da passeata que era pacifica”, por incrível que possa parecer, os tais “vândalos” quebravam fachadas de lojas, bancos, tocavam fogo em carros da polícia, eram filmados pelas redes de tvs e ninguém era preso ou levava ao menos o peteleco da polícia, esses “petelecos” sobravam para jornalistas que eram a favor os protestos.
Em pouco tempo pessoas que só queriam dizer que não suportavam mais esse governo desastrado deixaram as ruas, como medo viam na tv: “vândalos, vândalos, baderneiros, vândalos perigosos no meio das manifestações pacificas”. O estado de violência e o medo foram a grande estratégia ideológica e emocional da politicalha para acabar em junho do ano passado com as manifestações. O medo sempre foi um grande aliado da política em países de cidadania analfabeta como o Brasil, quando o medo falha o Estado sem cerimônia usa toda sua força jurídica e policialesca, prega alguns na cruz para que os outros se ajoelhem e digam: seja feita tua vontade, minha vida em vossas mãos ou tua espada na garganta dos descontes.
Em 2014 o governo e a politicalha não estavam mais despreparados, seria tenebroso para esses seres tão “nobres” em sua sagrada missão permitir que milhões de brasileiros voltassem às ruas com tantos jornalistas estrangeiros por aqui e em ano eleitoral. Então no começo do ano o governo começou a divulgar seu plano militar e policialesco para coibir que “vândalos” se infiltrassem no meio de inocentes manifestantes, só poderia protestar pacificamente, cordialmente, todo mundo em fila dupla como escoteiros obedientes nada de malcriação contra a divindade política do país, aqui no é o Oriente Médio. Na tv era mostrado centrais de combate ao crime, antiterrorismo, forças armadas dizem que já estavam prontas, toda polícia do país de prontidão, para temperar organizam  grandes festas nas cidades em que aconteceriam os jogos, cada uma custou em média 10 milhões de reais, aos poucos o Estado ira fazendo sua propaganda, alertando ao povo que não estava para brincadeira, o mesmo Estado que durante todo ano não nos protege, não cuida da nossa segurança de uma hora para outra fez da sua força de segurança sua maior vitrine.
Além de fazer com que o cidadã e cidadã de bem temesse seus próprio Estado à ideologia do bom mocismo começou a aparecer na tv, agora a ideia era: “trate bem o turista, não vamos envergonhar o Brasil lá fora”,” somos um povo civilizado, não vamos estragar uma festa tão linda”, repetia essa cantilena todos os membros da politicalha e da impressa comprada, mas para o que não entendesse isso, todas as forças de segurança estavam prontas para mostrar quem manda aqui. O cassetete da polícia dói mais em uma democracia que em uma ditadura, o governo sabe disso.
O Brasil não é visto com bons olhos em canto algum do mundo, somos vistos como país do sexo fácil, da prostituição e trabalho infantil, somos o país que mata por vontade, 11% das mortes por arma de fogo no mundo acontecem no Brasil, a polícia só resolve em média 5% dos casos de homicídios, somos o país da impunidade, de leis benevolentes, estamos entre os cincos países mais corruptos do mundo, corrupção significa: violência, falta de hospitais, escolas bonitas e alunos analfabetos, porque em países como o nosso se adestra com os olhos e embrutece pelo espírito, uma polícia temida e não respeitada, somos o país em quem aceitamos passivamente que empreiteiras financie campanhas políticas, agradecemos pelo Bolsa Família enquanto políticos vivem como reis, sangrando nossas vidas como ser fossemos porcos em um abate, quando morremos é como se nunca tivéssemos vivido, nossa vida histórica é simplesmente apagada, com se mata baratas mata-se pessoas no Brasil e o governo em seu trono ri das nossas dores, a Copa do Mundo nos provou que o governo no enfrenta com determinação o problema da violência porque não quer, se nutre do sangue que corre nas ruas, suas barrigas gordas e caras inchadas vivem das dores de milhares da famílias que perdem seus queridos amigos e parentes e da justiça com seus olhos fechados e indiferença jurídica e solidária.
Nos últimos meses o governo investiu pesado em propaganda do aparato de segurança do Estado, aparato de segurança que no dia dia simplesmente não temos pelas ruas do país, a ideia não era conter a violência de pequenos grupos extremistas, o que o governo queria e quer é impedir que milhões de pessoas vão para ruas e tvs do mundo todo mostrem as rachaduras de um Estado que apodrece lentamente.
Ao noticiar ostensivamente todo esquema de segurança para a copa criou no cidadão de bem um "estado permanente de violência e medo”.
O governo e a politicalha venceram, menos de cinco mil pessoas saíram nas ruas em todo país, o povo- cidadão com medo ficou em casa, sentado no sofá vendo uma seleção de futebol que é a cara desse país: triste, sorriso amarelo, rica e burra, esnobe e ignorante e sem futuro.
A violência do Estado e sentida na pele de qualquer cidadão ou cidadã quando procura um hospital, quando ao fim do segundo grau consta-se que se continua analfabeto, quando ao final da universidade com cota ou sem cota continua-se inculto servindo-se da ignorância e servindo-a alegremente por aí, quando precisamos da proteção policial do Estado e nos assustamos quando nos sentimos um nada em suas mãos, quando leis protegem bandidos, quando o povo perdoa hoje os canalhas de ontem e vão perdoar amanhã os de hoje.



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