Palavras

Sempre gostei das palavras, da magia das silabas que se juntam para formar uma palavra e palavras que formam uma ideia, às vezes uma só palavra basta para alguma ideia aparecer aqui e ali. Quando criança tinha um caderninho Companheiro, e rabiscava nele traço a traço, letra torta a letra certa as ideias de criança que lentamente foram moldando meu gostar pela escrita e leitura, sem falar na parceira certa para esse incentivo: minha mãe.
Sempre gostei de imaginar com um Thomas Mann pensou tantas palavras para subir na sua Montanha Mágica, se é que pensou, porque muitas vezes não se pensa, as palavras vêm e misteriosamente compõem algo, mas esse algo não é puramente inspiração, porque Machado de Assis antes de escrever lia de tudo, ao ler surge dentro de cada um vontade de dizer também.
Gosto de música, mas gosto mais da palavra dentro da música, às vezes acontece palavras ruins estragando grandes músicas, o contrário também acontece, grandes palavras sendo estragadas por músicas ruins. Quando fui ao Palácio dos Discos em Santo Amaro comprar o LP “As Quatro Estações” da Legião Urbana, estava fascinado pelas músicas e pela voz do Renato Russo, mas ao ler o encarte me encantei com as letras, eram muitas palavras e muitas ideias, era sentido para mim o dizer que ali estava.
Tenho tesão por palavras, em minha casa há uma biblioteca, meu sagrado, meu tesouro e ainda terei uma grande biblioteca cheia de palavras para todo mundo puder ir e encontrar quantas histórias desejar e compor suas próprias histórias. Eu amo a palavra, ela sempre esteve comigo, quando estou triste corro para escrever, como se o papel ou a tela do computador estivessem me consolando, quando alegre, faço do meu dizer carinho e virtude.
O apóstolo Paulo escreveu que sem amor ele nada seria, eu digo, sem palavras eu nada seria, sem palavras não saberia amar, sem palavras temeria meu presente e me negaria ao futuro, sem palavras eu morreria dentro do que sou e nunca estaria nos braços de quem amo.
Ouço as canções compostas por Raul Seixas e Paulo Coelho e é como se de alguma maneira estivesse dentro daquelas canções otimistas, canções que dizem: vamos andar para frente, “tenha fé em Deus tenha fé na vida, tente outra vez”. Não quero que a dor me torne mais sensível, não abraçarei religião alguma com medo da morte ou para viver eternamente, mas quero sempre comigo essa alegria de me emocionar com poemas de Cruz e Souza, sonhar vivendo em paz como nas palavras menestréis de Oswaldo Montenegro.
Escrever para me encontrar em quem me faz leitura, ler para me olhar e sentir naquele outro que também sou eu, porque quando alguém escreve algo e esse algo nos toca ele faz parte de nós.
Escrevo poesias, livros, coisa simples para dizer a mim mesmo que eu existo, que pelas palavras me torno pessoa, que ao dizer algo esse algo me diz que sou. Hoje no meu horóscopo estava escrito que tudo que eu desejo para mim vai acontecer, hoje eu quero acreditar nas palavras mentirosas do horóscopo, às vezes, como cantou Cazuza, “mentiras sinceras me interessam”.
http://livrosdeedineysantana.blogspot.com/

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys