Aventura poética no sertão

Augusto dos Anjos nasceu no interior da Paraíba (Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884) e de lá só saiu para trabalhar em Leopoldina- MG, cidade na qual morreu pouco tempo depois de se mudar para lá, faleceu em 1914 de tuberculose. A obra de Augusto dos Anjos é única, autor de uma poética destoante de todos os poetas do seu tempo e dos que vieram depois, Augusto levou para seus versos o horror da morte e suas imagens de podridão e ruína, o bizarro e insólito, a agonia da solidão crivada de imagens desconcertantes, um profundo sentido da vida e seu fim inadiável, o encontro do belo com o podre, a esperança carcomida e a passageira condição de tolos viventes, tudo isso em poemas apaixonados que encantam, seduzem e assustam.
Augusto dos Anjos só publicou um livro, livro que também encerra sua produção poética, acrescido de alguns poucos poemas os quais o poeta excluiu da primeira edição do livro.  “Eu” foi publicado em 1912, dois anos antes da morte do poeta, traz toda carga poética de Augusto dos Anjos, a publicação do livro só foi possível porque o poeta contou com a ajuda do seu irmão e até então maior incentivador. Claro que livro como “Eu” não seria bem vindo e naquele momento passou quase que despercebido, a consagração do poeta veio depois da sua morte, lentamente, mas o consagrou como um dos mais originais poetas do país.
É difícil situar Augusto dos Anjos em uma escola literária, em termos de geração faz parte do pré-modernismo, poeticamente às vezes é colocado no simbolismo outras no parnasianismo. Fato que sua poesia é única e não se encaixa em padrão estético algum, seu padrão estético é a visão angustiada e de como enxergava a vida.
Augusto dos Anjos é a expoente máximo de quem não se curva as circunstância, convicto e senhor da sua poética não se permitiu ao discurso fácil, obcecado pela morte fez dela sua musa e por ela criou um sistema filosófico poético personalíssimo. A força dos versos, o dizer sem medo, o escrever sem esperar por leitores, Augusto dos Anjos se fez imortal pela força dos seus versos  e para os que vieram depois deixou um legado que une arte, criatividade e coragem para viver e dizer intensamente quem se é.
Aqui recito poema de Augusto dos Anjos: https://www.youtube.com/watch?v=SeiDFw_d-ZE
http://edineysantana2.blogspot.com
 http://livrosdeedineysantana.blogspot.com.br/


Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys