O Gigante do espelho

Por vezes dimensionamos muito nossa real presença aqui neste planeta tão pequeno e tão exato em vida, às vezes somos o tempero do mal em toda harmonia da vida. No e para o espelho há quase sempre um gigante, quem se sabe grande em demasia para si não se conhece no outro, pelo contrário o outro é sempre o pequenino a ser vencido, entretanto de uma hora outra para outra, o gigante do espelho pode ser vencido.
Somos todos objetos indiretos, para ser alguém ou ter par nesta alegria que é a vida, precisamos de uma conjunção, algo que nos ligue, seja intermediário, mas muitas vezes pensamos ser objeto direitos, absolutos nas nossas conquistas, senhores e senhoras do império do “ser sem você é possível.”
Não sei se você já viu um corpo ser exumado, eu já. Tenha certeza, é algo que não se esquece. Olhar aqueles restos mortais em meio à destruição do caixão e sabermos que um dia aquilo ali que estamos vendo já foi alguém como nós  é de uma comoção espiritual sem fim, e uma pena se sente de si  ao entendermos de maneira prática o lugar que nos é reservado na natureza.
A imagem da morte é a nossa imagem triste, decaída e impotente, somos tão breve quanto qualquer ser na natureza, o pavor da finitude nos fez imaginar que somos eternos.
Será que somos eternos como as águas do rio? A liberdade do vento? A eterna inocência de um gato a brinca no pátio? Será que somos eternos como a ideia de um gênero que nunca morre? Será mesmo que somos eternos tanto quanto a alegria de delicadas gaivotas sobre o mar? Pouco sabemos disso, mas deveríamos nos esforçar para que a alegria de  fazer o bem, da cooperação fosse eterna tanto quanto a nossa vontade de sermos nós mesmos eternos.

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