Educação e Liberdade

A educação deveria nos libertar das nossas asperezas, os livros mais que conhecimento deveriam nos tornar dóceis e tolerantes, quanto mais estudo mais bondade e humildade, mas não é isso que acontece, quase sempre a ideia de que se sabe alguma coisa nos coloca no pedestal da estupidez e arrogância, o encanto não é aprender algo para nos melhoramos como pessoas, mas ter com a educação uma relação incestuosa na qual nossos filhos são a negação do direito do outro de ser feliz, acredita-se que alguns nascem para felicidade e outros para tristezas, acredita-se na trágica ideia de meritocracia quando as regras do jogo favorecem a uns e condenam tantos outros.
A educação que deveria nos fazer pessoas de leveza tem nos adestrados para selvageria das relações, a vida em si é maior que qualquer estudo, tudo que sabemos dela são hipóteses para diminuir nossa sensação de solidão e de finitos.
Algo de errado nas nossas escolas, algo de frio e mesquinho tem vencido nossa natureza selvagem e nos ensinado a brutalidade social de matar por prazer, provocar a dor por prazer, sentir pena, pisar no outro como a alegria sádica de saber que podemos fazer sofrer.
É constrangedor sentir medo das pessoas, é constrangedor aprender a olhar para o chão, calar mesmo que se tenha algo a dizer é constrangedor saber que a vida lentamente se torna cheia de reticências, quando as palavras morrem morremos junto com elas, quando deixamos como resposta uma sequência de reticências ou se há mais preocupação em dizer do que ouvir morremos primeiramente para quem convivemos, depois morremos para nós.
Sabedoria seria a máxima socrática de que nada sabemos, não a máxima contemporânea de que somos entendidos das questões mais intricadas da natureza ou da espiritualidade, inventamos respostas para perguntas inexistentes, sufocamos, apedrejamos  nossos espíritos .
Eu acredito em caminhos alternativos, tenho a esperança concreta de que voltando para mim, ser sabedor do meu estado eu serei completamente feliz, é preciso deixar fatores externos longe da nossa natureza espiritual, entenda que espiritual aqui nada tem de religioso, esse espiritual é a beleza de nos amarmos profundamente sem negar o direito de pessoa alguma ser feliz.
A educação que nos liberta é que nos coloca em sintonia com nossa natureza primária, a selvagem, esse nos faz reconhecer nossos erros e as dores causadas, essa saber que quando morremos morremos para o bem da natureza. Eu ainda acredito na nossa natureza, venceremos essa educação enferrujada e cretina, nos libertaremos das desgraças que criamos, viveremos felizes e tranquilos quando reconhecermos que a ignorância é a medida da nossa sabedoria.



Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys