O Brasil fora da pauta

Por que às vezes somos tão cordiais e benevolentes com uns e impiedosos com outros? Por que se acredita que fazer parte de um partido ou religião determina o caráter de alguém?  A campanha política deste ano traz algumas respostas para isso tudo. A primeira é que a história e o conhecimento dela são os maiores inimigos para quem não admite um mundo de contradições, para quem quer que sua verdade ou do seu grupo seja a verdade histórica, por isso diminuir a importância ou manipular fatos históricos é princípio básico para quem deseja se eternizar como protagonista único da sociedade.
A segunda coisa, é que é preciso demonizar qualquer grupo que não faça parte de um projeto de poder, sendo assim, todos que não estão vestidos com a mesma cor não faz parte desse “novo mundo”, novo mundo sem autocrítica, novo mundo no qual é cortada politicamente da educação, em especial pública, a capacidade de reflexão não só de alunos, mas de professores. Passa-se a investir no fragmento da informação, cria-se “autoridades” em todos os assuntos, são esses deuses do conhecimento que vão mastigar e vomitar verdades desse novo mundo.
Um fato curioso é da candidata Marina Silva, quando era parte de um partido político que busca a hegemonia política a todo e qualquer preço, ela era sempre apresentada como um expoente do partido, como uma mulher “guerreira” e defensora do meio ambiente, ao deixar o partido e mais que isso ao ameaçar o projeto de poder desse partido, ela passa a ser ridicularizada, caricaturada e mostrada exaustivamente como um demente sem condições de governar.
Ao desenhar uma Marina Silva desconexa da realidade membros do partido ou simpatizantes poderosos e influentes mostram rachaduras de caráter e ética. Até bem pouco tempo diziam que a Marina era um exemplo positivo, agora dizem que ela é um “aberração” política. A questão central não é discutir o país, nada disso, são duas as questões, uma é a manutenção do partido no comando e a outra é o poder e oportunidades individuais que essas pessoas tem junto ao centro do poder.
Neste momento em que caráter e ética são individuais e apontam para peças que podem ser mudadas de lugar apenas para sustentar a configuração ideológica que quer se perpetuar no poder, penso que todo cuidado é pouco ao mitificarmos pessoas, há algo muito além do que o que foi dito, nada é inocente, o Brasil nunca esteve tão fora da pauta.
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