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“Paranoia delirante”*

Não lembro se ouvi ou li que ao assumir nossos erros nos tornamos mais fortes. Fazer autocrítica é o exercício que nos amarra ao processo constante de aprendizagem, se nos fechamos dentro de um mundo que só existe para nós, darmos as costas para tantos outros mundos possíveis ou ainda acreditarmos na nossa absoluta razão e negar o direito do contraditório fortalecemos o caminho para autodestruição. A recusa à autocrítica para mim é um sinal de paranoia e histeria que pode até trazer a ilusão de sucesso, mas que fatalmente vai levar a dor não só o delirante contumaz, mas todos aqueles que se permitirem ter algum prazer com esse veneno mortal que é a ausência da reflexão sobre o real papel de cada um nesta intricada sociedade cada vez mais doente.
Nestas últimas eleições além da histérica reação de militantes de todos partidos, partidos que ao fim pouco diferem entre si, observei a falta de autocrítica dos candidatos, em determinados momentos não pareciam humanos, não demostravam sentimentos, estavam pairando sobre o bem e mal. Esta situação humanoide me lembrou um medo antigo, um velho medo que apavora muitos professores, o medo de errar e ser pego em erro.
Errar é tão humano quanto arrotar ou sentir ódio, mas durante anos foi-se construindo a ideia do professor como um ser perfeito, sabedor de tudo. Foi tirado do professor o direito de errar, mas com os políticos e suas militâncias histéricas isso foi extirpado por livre vontade. Políticos brasileiros, mesmo que sejam notáveis bandidos, apostam na ideia de santidade e claro, a culpa sempre é do outro, como disse Jânio Quadros, das “forças terríveis”.
A mania de perseguição de que todos estão contra ao “santo” projeto apresentado talvez seja a parte mais visível dessa paranoia apolítica que há muito baniu do país a política como ela deveria existir e ser praticada, não temos políticos, temos cavaleiros de uma nova ordem medieval prontos para matar, mentir, distorcer e rescreve fatos históricos, eliminar qualquer tentativa de apontar contradições em seus discursos. Estamos entregues a essa ordem perigosa que embora se esconda em diversos partidos representam um só credo paranoico politico.
Enquanto isso o Estado brasileiro é cada vez mais refém de pessoas lunática, cretinas que com suas manias de perseguição e falta de autocrítica negam tudo que não for copia fiel dos seus projetos mais egoístas de vida, que insistem em dizer que é um projeto de Brasil.
Por outro lado, penso diante desse horror o quanto também amadurecemos, já há um claro entendimento da sociedade de que não se pode passivamente olhar o desmonte do Estado brasileiro e aplaudir práticas totalitárias, em alguns lugares do país esse avanço é mais visível em outros mais lento, no entanto o importante é que algo acontece, algo se fortalece e quem ganha com isso não sou eu nem você é o Brasil.
* Título de uma música gravada pelo RAP XIS


                                                                                                          

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