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Ouvindo em silêncio

No lugar em que trabalho não é possível ouvir qualquer som no computador, por isso aprendi a “ler” o som, coloco legendas e vou lendo de músicas a notícias, quando é uma canção que não conheço crio um ritmo próprio e vou sentindo a canção que naquele momento só existe para mim, às vezes quando estou “lendo os vídeos” dos jornais na internet olho para o jornalista e imagino mil vozes, muitas vezes vozes de pessoas queridas e distantes. Penso então nas pessoas surdas que nunca ouviram nada, penso em um primo meu, José, que era surdo  e sinto como os sons podem nos chegar de maneira não como o conhecemos, claro que tenho a referência do que é o som, diferente das pessoas que nunca ouviram, ao fim penso que cada pessoa cria suas referências seu modo de leituras de sons.
Faz tempo que também não vejo TV, ficar horas parado assistindo um filme ou jornal. Esses dias “encontrei” uma TV, mas já havia entre ela e eu certo distanciamento, TV é algo intimo, em sua tela de alguma maneira passa aquilo que diz algo sobre nossos gostos e anseios, TV é para casa, nossa casa, a casa na qual somos senhores do controle remoto e claro do sofá.
Aprendi a ouvi em silêncio, só espero não desaprender a ouvir como se ouve bater dos sinos, o cair das lágrimas na face, o bater asas das borboletas no jardim, o passa sóbrio dos pequenos roedores no sótão, o som das gentes pelo caminho leve do amor, espero continuar gostando de música e suas vozes, voltar ao som e suas cores, da música que nos alegra, do bater coração que nos ama.

  

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