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O Brasil é uma pintura de Hieronimus Boch,

Hieronimus Boch,
Ao cair das cinzas de 2014, essa tentativa nossa de datar o tempo, penso nos que este ano tornaram-se cinzas soprados pelo vento, não só os que existiam de fato em nossas vidas, mas também nos sonhos adormecidos em algum lugar do nosso desencanto pela febre de viver. 2014 foi o ano do medo absoluto de gente, o ano em que minhas desconfianças com o outro demoliram quase todas minhas crenças na “pessoa” par da minha existência, o ano em que vi movimentos políticos sejam de direita ou esquerda ressuscitaram Hitler.
2014 foi o ano em que livremente muitos escolheram o caminho da decadência como experiência de vida, o ano nivelado pela baixeza e pela aceitação do espírito de porco como guia do país, o ano em que metade do país tirou a máscara e assumiu todo ódio e nojo por nós nordestinos, o ano em que muitos brasileiros impossibilitados de assumirem uma posição racista, dada a inegável miscigenação do país, assumiram uma postura xenófoba, o ano que o egoísmo se materializou em tantas mortes, dores e escândalos, o ano em que a esperança deixou a UTI direto para cemitério das utopias.
Ano cadavérico, imundo, cafajeste. Ao dizer tudo isso não esqueço que foi um ano de  muitas conquistas pessoais, mas tenha certeza: nenhuma conquista pessoal neste país é sólida e segura diante ao horror que nos separa e nos envenena a natureza, as desgraças aqui são socialistas.
A desgraça deste país não nenhum partido político, antes de tudo é a selvageria que seu povo olha a si mesmo, a carcomida ideia de que se pode sobrepor o outro tão somente pelo que se tem ou pelo que se representa, um país classe medieval, mesquinho, estúpido, que por vontade própria mata o que tem de melhor: sua cultura universal, seu povo universal.
O Brasil é uma pintura de Hieronimus Boch, a primeira impressão é de um paraíso, mas olhando de perto é um inferno gestado pelo seu próprio povo, o diabo aqui tem o nome de povo, seja o povo pobre ou classe média estômago de pedra. Nossos males não o capitalismo selvagem ou adocicado pelo liberalismo, nossos males nascem do olhar predador que o povo tem sobre o próprio país.Somos um país triste por natureza.
O debate não deve ser contra partidos políticos, mas confrontar o povo contra si mesmo, seu eu pudesse faria uma campanha publicitária mostrando como no dia a dia quase todos são corruptos e semeadores de misérias.
Viver é preciso.É necessário manter a paz interior e construir esse país, seja como for, final de ano sempre nos aponta para a revalorização das nossas utopias, não deixar que a crueldade social tome conta de nós, abraçar o bem e buscar a nossa felicidade, sermos capazes de fazer do Brasil um grande país.
Para você, para mim e para todos nós um 2015 de paz, luz e coração.


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