Dias delicados

“Nos perderemos entre monstros/ da nossa própria criação/ serão noites inteiras/ talvez por medo da escuridão”. Esses versos escritos há mais de trinta anos por Renato Russo alertavam para algo que já havia acontecido: nos perdemos entre muitos monstros criados por nós, decaímos do paraíso tal qual Lúcifer do céu.
Algo não tem me saído da cabeça ultimamente: a delicadeza, como nos mantermos delicados diante ao horror que criamos? Não se iluda, não aponte o dedo para os outros, é preciso coragem para aceitarmos o que nos tornamos.
Sou super observador, preste atenção nos mínimos detalhes, porque são nesses detalhes que os monstros são gestados. São nos pequenos detalhes que descobrimos o teor azedo das nossas relações cotidianas, os detalhes nos revelam o quanto estamos marchando para luz ou para o abismo.
São tempos estranhos, de amores estranhos, de amizades estanhas, tempo em que se mata para dizer que ama, não falo só da morte física, falo da morte moral, ética, emocional. Humilhar o outro passou a ser terapia sádica dos que não entendem a relação que há entre nós e o tempo.
A grande conquista é não vivenciar profundamente os versos de Augusto dos Anjos:

“O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.”

Não se tornar miserável, não se tornar aquilo que mais odiamos, manter o espírito longe dos vícios. O sofrimento, humilhações podem ser também um bom momento para pensarmos nossas vidas, todos nós temos nosso limites bem definidos, para mim, sofrimento é quando ultrapassamos esses limites e nos permitimos sofre além do peso que conseguimos carregar.

  

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