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Sou Brasileiro

Alguém reclamou em Santo Amaro que a maioria dos aprovados no curso público municipal são pessoas de “fora”, ou seja, não vivem na cidade, mas existem pessoas de “fora” em seu próprio país? Não, não existem, quem nasce em um país seja qual for o estado ou cidade é de “dentro” e não de “fora”, todos são brasileiros e quem questiona isso ou é por ignorância (o que é até certo ponto perdoável) ou é leitor voraz de Miem Kampf, diluído nas sandices da extrema direita e esquerda que domina o país.
Concurso público é mérito pessoal, se em uma cidade pessoas não conseguem aprovação devem questionar não quem passou, mas o sistema educacional o qual foram formados e talvez seus filhos estejam também sendo formados pelo mesmo sistema. Educação não é bico, aceitar passivamente que dublês de professores (as) (alguns até com diploma) atuem no sistema de público de ensino é um crime que provoca morte lenta, mesmo professores (as) concursados devem ser acompanhados de perto, estabilidade no emprego não é o mesmo que imunidade.
O que me chama atenção neste ideia de "pessoa de fora do meu estado”, “ pessoa de fora da minha cidade” é o teor racial e xenófobo disso tudo. Na revolução de 1930 os gaúchos fizeram bandeiras nas quais escreveram: “O Rio Grande do Sul em defesa do Brasil”, se uniram a paulistas e paraibanos (os três principais articuladores do movimento para “defender” o Brasil.
Em um curto espaço de tempo o país se dividiu em pequenas repúblicas de ódio e intolerância. Cresce o sentimento que já não somos mais uma nação.
Enquanto isso todos, sem exceção, grupos políticos do país falam a mesma língua, podem até aparentarem diferenças, mas no fundo são unidos pelos mesmos sentimentos. São patrulheiros ideológicos, ao menor sinal de contrariedade não existam em castrar, expurgar, ameaçar e desmoralizar os descontentes.
Todas essas ideias de que somos forasteiros em nosso próprio país, de que existem culturas inferiores são incentivadas pela narco-política, quem governa sabe o quanto um povo dividido é muito mais fácil controlar, quem governa sabe o quanto um povo que se odeia é conduzindo para os currais da subserviência apenas com frases de efeito.
Ao discutir temas estúpidos como se fossem urgente para o país e suas vidas o povo cai na armadilha rasteiras dos gerentes testas de ferro da narco- política que controla o Brasil, enquanto isso absolutamente nada de relevante é feito para mudar a estrutura política e administrativa do país que é morada de todas nossas misérias.
Eu sou brasileiro, como disse Raul Seixas, em Feira de Santa ou mesmo em Paris, eu sou brasileiro e qualquer outro brasileiro que negue isso é um criminoso.
Bem vindo os aprovados no curso público...



                                                                                          

                                                                                          

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